Povo nas ruas e pressão máxima: Mega Marcha Universitária paralisa a Argentina e ameaça derrubar decretos de Javier Milei.

Internacional

Uma nova e massiva onda de manifestações populares paralisou o centro de Buenos Aires e as principais capitais da Argentina, marcando a realização da “5ª Marcha Federal Universitária”. Convocada originalmente pelo Conselho Interuniversitário Nacional (CIN), a mobilização ganhou contornos de protesto generalizado ao unir estudantes, professores, centrais sindicais de peso como a CGT e a CTA, e diversos setores da sociedade civil organizada. O objetivo central é exigir o cumprimento imediato da Lei de Financiamento Universitário, aprovada pelo Congresso Nacional, mas sistematicamente ignorada e descumprida pela gestão do presidente Javier Milei sob a justificativa de manter o superávit fiscal.

A crise no ensino superior público atinge patamares alarmantes no país vizinho, acumulando perdas drásticas desde a posse do atual governo. Os dados apresentados pelas instituições mostram que os docentes e funcionários acumulam uma defasagem salarial de 33,4% frente à inflação, enquanto o orçamento destinado ao custeio das universidades sofreu um corte brutal de 47,7%. Paralelamente, o montante investido em bolsas de estudo para jovens vulneráveis caiu 20%. Diante de decisões judiciais favoráveis que ordenam a recomposição dos repasses, a Casa Rosada recorre a artifícios jurídicos para travar os recursos, alimentando ainda mais a revolta nas ruas.

A mobilização argentina reverberou de maneira direta na expressiva comunidade de estudantes brasileiros no país, estimada em mais de 15 mil jovens, com forte presença na área de Medicina da Universidade de Buenos Aires (UBA). Estudantes brasileiros organizaram blocos de apoio à marcha e manifestaram forte preocupação com os rumos do financiamento público da educação. Representantes do movimento estudantil alertaram que os impactos do arrocho fiscal sentido no cotidiano universitário argentino servem de alerta para o debate político brasileiro, onde propostas semelhantes de corte de gastos em saúde e educação vêm sendo defendidas por setores da oposição.

O clima de tensão atingiu o ponto máximo nas imediações do Congresso da Nação Argentina, epicentro dos atos e palco de uma batalha legislativa decisiva. Além da pauta educacional, os parlamentares analisam a revogação do controverso mega decreto desregulamentador (DNU) emitido por Milei no início de seu mandato. O instrumento altera profundamente direitos trabalhistas, regras de aluguel, funcionamento de empresas públicas e privatizações. Uma eventual rejeição do decreto pela Câmara dos Deputados, após veto prévio do Senado, representará o maior revés político e institucional da gestão Milei até o momento.

Foto: Getty Images via AFP

Redação – Thiago Salles

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