A Polícia Federal desmantelou uma fábrica clandestina de armamentos que operava de forma disfarçada como uma empresa de metalurgia e peças aeronáuticas em Santa Bárbara d’Oeste, no interior de São Paulo. A operação, deflagrada no fim de agosto, encontrou maquinário de ponta e um esquema altamente organizado voltado à produção de peças de fuzis automáticos.
De acordo com as investigações, a estrutura criminosa funcionava dentro da empresa Kondor Fly Parts Indústria e Comércio de Peças Aeronáuticas, no Distrito Industrial da cidade. O proprietário, Gabriel Carvalho Belchior, está foragido e é alvo de um mandado internacional de prisão. Há indícios de que ele tenha deixado o Brasil com destino à Flórida, nos Estados Unidos.
Durante a ação, agentes federais apreenderam 35 conjuntos de peças de fuzis tipo AR-15, dois silenciadores e diversas caixas com componentes metálicos. O local possuía máquinas de Controle Numérico Computadorizado (CNC) e centros de usinagem, com tecnologia semelhante à utilizada na indústria aeroespacial — evidenciando o nível técnico da operação.
Três suspeitos foram identificados: Anderson Custódio Gomes, responsável pela programação das máquinas; Janderson Aparecido Ribeiro de Azevedo, operador de produção; e Wendel dos Santos Bastos, apontado como encarregado da logística e compra de materiais. Parte dos envolvidos foi presa em flagrante durante a ação.
As apurações indicam que o grupo mantinha ligação com facções criminosas do Rio de Janeiro, Bahia e Ceará, e vendia armamentos por valores entre R$ 8 mil e R$ 15 mil por unidade. O dinheiro era movimentado por meio de contas de laranjas e empresas de fachada.
A Polícia Federal do Rio de Janeiro e a PF de Campinas seguem apurando a rota das armas e o destino dos recursos obtidos com o esquema. Para as autoridades, o caso demonstra o avanço tecnológico das organizações criminosas e o uso indevido de conhecimento industrial para a produção ilegal de armas no país.
Fuzis (Foto: Tomaz Silva)