A estrutura das famílias brasileiras está passando por uma transformação silenciosa, mas profunda. Segundo a nova edição da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada em 2025, o número de pessoas que vivem sozinhas no Brasil atingiu a marca de 19,7% do total de unidades domésticas. O crescimento é expressivo: em 2012, esse grupo representava apenas 12,2% dos lares, o que significa um acréscimo de mais de 8 milhões de domicílios unipessoais em pouco mais de uma década.
Embora a maioria dos brasileiros (80,9%) ainda resida com cônjuges ou parentes, o movimento de viver só está ancorado em dois pilares principais: o rápido envelhecimento da pirâmide etária e o empoderamento feminino, que permite a mais mulheres optarem pela independência residencial. De acordo com William Kratochwill, pesquisador do IBGE, o fenômeno é mais visível em estados com maior concentração de idosos, como o Rio de Janeiro, onde o ciclo de saída dos filhos e a viuvez deixam muitos lares com apenas um ocupante.
O estudo aponta uma distinção clara de gênero e idade. Entre os homens que moram sozinhos, a maioria (56,4%) está na faixa de 30 a 59 anos, grupo marcado por mudanças de emprego, viagens e divórcios. Já entre as mulheres, o cenário se inverte após a maturidade: 55% das que vivem sós têm 60 anos ou mais. O demógrafo José Eustáquio Alves Diniz ressalta que essa “feminização” da vida solo na velhice deve-se ao fato de as mulheres viverem, em média, sete anos a mais que os homens e, historicamente, casarem-se com parceiros mais velhos.
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Redação – Thiago Salles