Em declarações contundentes, Luiza ressaltou que a quantia estipulada não representa uma reparação justa diante da capacidade econômica do empresário, um dos homens mais ricos do país. “Sei que R$ 150 mil é um valor expressivo para a maioria dos brasileiros, mas diante da realidade financeira de quem me agrediu, representa muito pouco. Qual é a eficácia de uma condenação que praticamente não afeta o patrimônio de quem praticou uma violência tão grave? Uma condenação que pesa profundamente na vida de uma vítima não pode ser apenas uma despesa irrelevante na vida de seu agressor”, questionou a ativista.
Os detalhes contidos na sentença expõem a extrema gravidade do episódio. O magistrado destacou que as agressões resultaram na fratura de quatro costelas da modelo (7ª, 8ª, 9ª e 10ª), provocando dores tão intensas que a fizeram perder o controle corporal e urinar nas próprias roupas. Luiza precisou enfrentar um voo internacional de volta ao Brasil sob forte abalo emocional e à base de analgésicos pesados. O juiz rejeitou as alegações da defesa de Parisotto — que tentava usar o engajamento público de Luiza na causa feminina contra ela — e reafirmou que a atuação da modelo em defesa dos direitos das mulheres é um exercício legítimo de cidadania para ressignificar o trauma.
Apesar de reconhecer o dano moral, a Justiça negou os pedidos de indenização por danos materiais e lucros cessantes apresentados pela defesa de Luiza. A modelo alegava ter sofrido prejuízos milionários com o cancelamento de contratos publicitários e campanhas de grande porte após a exposição do caso, mas o tribunal avaliou não haver provas suficientes para vincular a rescisão das parcerias comerciais diretamente ao episódio de violência.
Aos 64 anos, Luiza Brunet reforçou que nenhum valor financeiro é capaz de apagar as marcas físicas e psicológicas deixadas pelo agressor, mas garantiu que continuará usando sua visibilidade para combater a impunidade. “A violência contra a mulher precisa ter consequências reais. Nenhuma mulher deveria precisar lutar por 10 anos para ser ouvida, respeitada e reparada”, concluiu.
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