Motim silencioso no Pentágono: Senadores denunciam condições desumanas e ‘água contaminada’ em porta-aviões americano.

Internacional

A permanência prolongada de tropas norte-americanas no Oriente Médio transformou-se em uma grave crise política e humanitária no Congresso dos Estados Unidos. Senadores democratas vieram a público denunciar as condições alarmantes vividas por cerca de 5.000 marinheiros a bordo do gigantesco porta-aviões USS Abraham Lincoln, retido no mar há mais de oito meses e meio em decorrência do conflito com o Irã.

Em uma carta incisiva enviada ao secretário de Defesa, Pete Hegseth, e ao secretário interino da Marinha, Hung Cao, o senador Richard Blumenthal detalhou um cenário caótico na embarcação militar. Relatos de caldeiras e encanamentos quebrados, surtos de contaminação na água potável, desabastecimento de itens essenciais e colapso no sistema postal — que reteve encomendas de familiares por meses — acenderam o alerta sobre o estado físico e a saúde mental dos militares. O senador Ruben Gallego, veterano dos Fuzileiros Navais, engrossou os ataques à Casa Branca, classificando o tratamento dispensado às tropas no governo Donald Trump como “repugnante e perigoso”.

Em resposta ao desgaste público, Pete Hegseth rebateu as denúncias durante viagem oficial ao Panamá, garantindo que o Pentágono oferece o suporte necessário para a execução das missões em ambientes austeros. No entanto, fontes militares confirmaram que a Marinha dos EUA já mobilizou o porta-aviões USS George Washington para cruzar o Estreito de Malaca e substituir emergencialmente a embarcação Lincoln.

Especialistas e oficiais reformados apontam que o esticamento do calendário de missões — similar ao que ocorreu com o USS Gerald R. Ford, retido por 326 dias em alto-mar — ameaça comprometer os cronogramas de manutenção e a prontidão das forças navais dos EUA por anos. O desgaste contínuo de homens e equipamentos expõe as rachaduras operacionais da estratégia militar norte-americana na região.

Foto: Brian WILBUR / Escritório de Informação da Marinha / AFP

Redação – Thiago Salles

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