A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, voltou a ser alvo de fortes críticas no Senado Federal nesta semana. Em audiência realizada na Comissão de Infraestrutura, parlamentares de diferentes espectros ideológicos, especialmente da região amazônica, manifestaram insatisfação com a condução da pasta e apontaram obstáculos às iniciativas de desenvolvimento em áreas estratégicas do país.
A sessão, realizada na terça-feira (27), reforçou o cenário de isolamento político da ministra dentro do próprio governo. A ausência de defesa por parte de figuras-chave da base, como o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, chamou atenção. Mesmo presente, Wagner preferiu o silêncio durante os embates, deixando Marina exposta às críticas.
Entre os pontos mais controversos está a aprovação, pelo Senado, de um novo marco legal para o licenciamento ambiental. O projeto cria a chamada Licença Ambiental Especial (LAE), que propõe um rito simplificado para obras consideradas prioritárias, dispensando etapas tradicionais de avaliação. A proposta, idealizada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, foi aprovada por ampla maioria e vista por ambientalistas como um retrocesso nas garantias de preservação ambiental.
Outro tema sensível debatido foi a exploração de petróleo na Margem Equatorial, iniciativa que conta com apoio de parte do governo, mas enfrenta resistência do Ministério do Meio Ambiente. O episódio evidencia o choque entre o discurso de sustentabilidade assumido pelo Brasil em fóruns internacionais e a prática interna, marcada por concessões políticas e econômicas.
Críticos apontam que Marina tem sido usada mais como símbolo do compromisso ambiental do país do que como uma figura com real influência nas decisões estratégicas. O cientista político Felipe D’Ávila, por exemplo, afirmou que a ministra “representa prestígio internacional, mas não tem poder de execução dentro do governo federal”.
A tensão acontece às vésperas da Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP 30), prevista para novembro em Belém (PA), onde o Brasil pretende se consolidar como líder global na agenda ambiental. O cenário atual, no entanto, lança dúvidas sobre a coerência entre o discurso e as ações práticas do Executivo.