O governo de Minas Gerais realizou, na manhã desta quinta-feira (11), uma das maiores ações penitenciárias recentes do estado ao transferir aproximadamente dois mil detentos vinculados a facções criminosas. A operação, chamada de “Sinapse”, é conduzida pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) por meio do Departamento Penitenciário (Depen-MG).
De acordo com a Sejusp, a ação tem caráter preventivo e repressivo, com o objetivo de reforçar o controle institucional e enfraquecer articulações do crime organizado dentro das unidades prisionais. A operação envolveu dez presídios distribuídos por 12 municípios mineiros, todos com internos considerados de alta periculosidade.
O plano estratégico foi elaborado a partir de levantamentos de inteligência e mobilizou cerca de mil policiais penais de grupamentos especializados — entre eles o Comando de Operações Especiais (Cope), Grupo de Intervenção Rápida (Gir), Grupo de Escolta Tático Prisional (Getap), Grupo de Operações com Cães (Goc), Grupamento de Patrulha Aérea (Gpear), além de equipes analíticas e de inteligência.
As equipes realizaram buscas, varreduras e cumpriram ordens de transferência simultaneamente para evitar eventuais reações internas.
O diretor-geral do Depen-MG, Leonardo Badaró, destacou a importância da ofensiva:
— A operação foi estruturada para romper conexões criminosas e fortalecer os mecanismos de segurança institucional. É uma resposta direta ao compromisso do Estado com a proteção da sociedade e a manutenção da ordem pública.
Escalada de conflitos entre facções em Minas
A ação ocorre em meio ao aumento da tensão entre organizações rivais na Região Metropolitana de Belo Horizonte. No último dia 4, um tiroteio no Barreiro deixou duas pessoas mortas, em um episódio atribuído a um confronto entre integrantes do Comando Vermelho (CV) e do Terceiro Comando Puro (TCP). Informações preliminares da Polícia Civil apontam que o ataque teria sido motivado por disputas territoriais relacionadas ao tráfico de drogas.
Moradores da região protestaram dias depois contra prisões de suspeitos ligados aos grupos criminosos. A disputa, segundo o Ministério Público de Minas Gerais, envolve tentativas de domínio de pontos estratégicos de venda de drogas e já foi alvo de outras operações, como a “Delos”, em setembro, que resultou na prisão de seis supostos membros do TCP e na apreensão de drogas, armas e equipamentos eletrônicos.
Até o fechamento desta matéria, a Operação Sinapse continuava em execução, e a Sejusp informou que novas atualizações serão divulgadas conforme o avanço das equipes em campo.
Foto: Depen-MG / Divulgação
Redação Brasil News