Milei confirma retorno da Argentina ao mercado global com emissão de título em dólar após sete anos.

Internacional

O presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou nesta sexta-feira (5) que o país voltará a captar recursos no mercado internacional de capitais após mais de sete anos fora desse tipo de operação. A retomada ocorrerá por meio da emissão de um título em dólares, com prazo de quatro anos e taxa de juros de 6,5%, segundo informou o ministro da Economia, Luis Caputo.

Esta será a primeira emissão externa da Argentina desde 2018. De acordo com o governo, o país também negocia com bancos um empréstimo de aproximadamente 7 bilhões de dólares para conseguir honrar vencimentos superiores a 4 bilhões de dólares previstos para janeiro.

Em publicação nas redes sociais, Milei comemorou o anúncio e afirmou que o país “voltou aos mercados de capitais”. Já o ministro Caputo destacou que a operação facilitará o acúmulo de reservas internacionais, uma das exigências do Fundo Monetário Internacional (FMI) dentro do acordo de financiamento firmado com a Argentina.

Segundo a Secretaria de Finanças, o leilão do novo título acontecerá no dia 10 de dezembro, com vencimento previsto para novembro de 2029. Os pagamentos de juros serão feitos de forma semestral, com quitação integral do valor principal no vencimento. Parte dos recursos será utilizada para cobrir compromissos que venceriam já no início de janeiro.

Especialistas do mercado avaliaram a medida de forma positiva. O ex-ministro da Economia Hernán Lacunza afirmou que a decisão representa um passo importante para a normalização financeira do país. Economistas também destacaram que o retorno ao mercado externo melhora a capacidade de refinanciamento da dívida, embora o sucesso da operação ainda dependa da demanda dos investidores internacionais.

O anúncio teve reflexo imediato nos mercados. Os títulos argentinos negociados em Wall Street subiram, enquanto a Bolsa de Buenos Aires registrou alta de mais de 2% durante o pregão. O risco-país, indicador que mede a confiança dos investidores, também apresentou queda próxima de 3%.

O governo argentino também contou recentemente com um reforço financeiro por meio de um acordo de swap de moedas superior a 20 bilhões de dólares com o Tesouro dos Estados Unidos, medida que ajudou a aliviar a pressão sobre o peso e fortalecer a posição do governo nas eleições legislativas de outubro.

Para Caputo, a nova emissão deve contribuir para melhorar o perfil financeiro da Argentina e continuar reduzindo o risco-país. Segundo ele, a estratégia não cria uma nova dívida, mas permite o refinanciamento de compromissos antigos, abrindo espaço para o fortalecimento das reservas do Banco Central.

Foto: Juan Mabromata

Redação Brasil News

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