Antes de se consolidar como uma das estrelas mais conhecidas dos filmes de ação de Hollywood, Mark Wahlberg teve em Boogie Nights – Prazer Sem Limites um dos papéis mais importantes de sua transformação de rapper em ator.
Lançado em 1997 e dirigido por Paul Thomas Anderson, o filme apresentou Wahlberg como Dirk Diggler, um jovem que ganha fama na indústria de filmes adultos durante as décadas de 1970 e 1980.
O trabalho teve grande impacto na carreira do ator e ajudou a afastá-lo definitivamente da imagem de Marky Mark, nome artístico utilizado durante sua passagem pela música.
Curiosamente, Wahlberg não era a primeira opção imaginada para o papel.
Paul Thomas Anderson inicialmente queria Leonardo DiCaprio, que acabou optando por protagonizar Titanic. O próprio DiCaprio recomendou Wahlberg, com quem havia trabalhado anteriormente em Diário de um Adolescente.
A escolha acabou se tornando decisiva para a carreira do ator.
Anos mais tarde, no entanto, Wahlberg passou a olhar para o filme de maneira diferente.
Em 2017, durante um evento católico em Chicago, o ator comentou que esperava que Deus fosse “fã de cinema” e também capaz de perdoá-lo por algumas escolhas feitas ao longo da vida.
Quando questionado especificamente sobre produções pelas quais teria pedido perdão, colocou Boogie Nights entre as primeiras da lista.
A declaração ganhou forte repercussão na época, principalmente porque o filme continua sendo considerado um dos trabalhos mais importantes de sua filmografia.
O comentário, porém, não significava necessariamente uma rejeição à qualidade artística da produção.
Posteriormente, Wahlberg explicou que sua posição estava relacionada sobretudo à forma como sua fé, sua idade e sua vida familiar passaram a influenciar a maneira como escolhe seus projetos.
Pai de quatro filhos e praticante da fé católica, ele afirmou que provavelmente teria mais dificuldade em aceitar atualmente um personagem semelhante a Dirk Diggler.
Isso não impediu Wahlberg de reconhecer a importância que Boogie Nights teve em sua trajetória.
O filme ampliou seu espaço em Hollywood e abriu caminho para uma carreira que posteriormente incluiria produções como Os Infiltrados, O Vencedor, Ted, Transformers: A Era da Extinção e Transformers: O Último Cavaleiro.
Outro filme que Wahlberg criticou sem cerimônia
Se sua relação com Boogie Nights envolve principalmente questões pessoais e religiosas, existe outro trabalho sobre o qual Wahlberg foi muito mais direto.
O ator criticou publicamente “Fim dos Tempos”, suspense lançado em 2008 sob direção de M. Night Shyamalan.
Anos depois da estreia, Wahlberg classificou o longa de maneira negativa e ironizou a premissa envolvendo fenômenos provocados pela natureza.
No filme, ele interpreta um professor de ciências tentando sobreviver a uma misteriosa onda de mortes que atinge diferentes regiões dos Estados Unidos.
A produção recebeu avaliações negativas de boa parte da crítica na época do lançamento e acabou se tornando um dos trabalhos mais controversos tanto na carreira de Wahlberg quanto na de Shyamalan.
Já Boogie Nights seguiu caminho diferente: permaneceu como uma das produções mais celebradas de Paul Thomas Anderson e como o filme responsável por mostrar que o então ex-rapper Mark Wahlberg poderia ocupar espaço de destaque entre os atores de Hollywood.
Quase três décadas depois, a relação do ator com o longa continua marcada por esse contraste: profissionalmente, foi um divisor de águas; pessoalmente, tornou-se uma escolha que ele passou a enxergar com outros olhos.
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Redação – Thiago Salles