O Congresso Nacional, em Brasília, veste-se de roxo neste final de semana por uma causa urgente. A iluminação especial faz parte da campanha Janeiro Roxo, em alusão ao Dia Mundial de Prevenção à Hanseníase. Mais do que um ato simbólico, a mudança nas luzes do Senado Federal é um grito de alerta: o Brasil é hoje o segundo país com mais novos diagnósticos da doença no mundo, ficando atrás apenas da Índia.
O Cenário no Brasil
Dados consolidados de 2024 mostram que o país registrou mais de 22 mil novos casos. A situação é crítica em estados como Mato Grosso e Tocantins, onde a incidência ultrapassa os 40 casos por 100 mil habitantes, patamar considerado hiperendêmico. No Mato Grosso, os números são ainda mais alarmantes, chegando a 121 casos por 100 mil pessoas.
Da Exclusão à Cura
A senadora Zenaide Maia (PSD-RN) ressaltou que o Brasil carrega um passado de violações de direitos, onde o isolamento forçado e o pânico social eram a regra. Hoje, a ciência derrubou esses muros:
- Transmissão: A doença é causada pela bactéria Mycobacterium leprae, mas deixa de ser contagiosa logo após o início do tratamento.
- Tratamento: A cura é garantida por meio de antibióticos oferecidos de forma totalmente gratuita pelo SUS.
- Convívio: Não existe necessidade de afastamento do trabalho ou isolamento familiar.
Diagnóstico Precoce é a Chave
A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) reforça que o grande perigo da hanseníase não é o contágio, mas a demora no tratamento. Por atingir os nervos periféricos, a enfermidade pode causar sequelas irreversíveis, como a perda definitiva de movimentos e da sensibilidade tátil.
A recomendação das autoridades de saúde é clara: qualquer mancha ou lesão na pele deve ser investigada. O Janeiro Roxo serve para lembrar que a hanseníase tem cura e que o diagnóstico rápido evita incapacidades físicas e combate o estigma histórico que ainda cerca a doença.
Foto: Roque Sá/Agência Senado