Investigação revela elo entre empresa de ônibus e sobrinho de Marcola em suposto esquema milionário do PCC.

Brasil

Novos desdobramentos das investigações sobre o financiamento do crime organizado em São Paulo apontam que Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinho de Marcola, teria recebido recursos financeiros provenientes da empresa de ônibus Transunião Transportes S.A., alvo de uma ampla investigação por suposto envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

As informações fazem parte dos documentos reunidos durante a Operação Vérnix, que identificou movimentações financeiras consideradas suspeitas pelos investigadores e apontou possíveis mecanismos utilizados para ocultar recursos provenientes de atividades criminosas.

Segundo a investigação, Leonardo seria um dos beneficiários de operações financeiras que buscavam dificultar o rastreamento da origem do dinheiro. Ele é filho de Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, irmão de Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, apontado pelas autoridades como uma das principais lideranças da facção criminosa.

As apurações indicam que contas vinculadas ao esquema movimentaram aproximadamente R$ 746 milhões. Desse montante, cerca de R$ 301 milhões teriam origem em depósitos realizados em dinheiro vivo, sem identificação dos depositantes, prática considerada um dos principais indícios de lavagem de dinheiro.

Entre os registros analisados pelos investigadores está uma transferência de R$ 50 mil realizada pela Transunião em favor de Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho. O repasse reforçou as suspeitas de que a empresa de transporte fazia parte da estrutura financeira utilizada para movimentar recursos ilícitos.

A Transunião já é alvo de outra investigação conduzida pelo Ministério Público e pela Polícia Civil, que apura a infiltração do crime organizado no setor de transporte coletivo da capital paulista. As autoridades também investigam a atuação de empresários, operadores financeiros e possíveis colaboradores envolvidos no esquema.

As investigações continuam em andamento e buscam identificar todos os responsáveis pela movimentação dos recursos, além de apurar a origem dos valores e a participação de outras pessoas físicas e jurídicas na estrutura investigada.

Até o momento, a defesa dos investigados não se manifestou publicamente sobre as novas informações divulgadas pelas autoridades.

Foto: Reprodução/Arquivo

Redação – Ana Flavia

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