As tratativas bilaterais para o fechamento de um novo acordo de livre comércio entre os Estados Unidos e o Canadá foram oficialmente paralisadas após um grave impasse diplomático. O anúncio foi feito pelo Representante Comercial dos EUA (USTR), Jamieson Greer, em entrevista concedida à emissora norte-americana CNBC. De acordo com o autoridade de comércio da Casa Branca, as conversas fracassaram porque o governo canadense exigiu um volume de isenções e exceções tarifárias superior ao que Washington estava disposto a ceder na mesa de negociações.
Greer enfatizou que a administração norte-americana apresentou aos negociadores do país vizinho a “melhor oferta” possível de acesso ao mercado consumidor dos EUA. A proposta concederia ao Canadá o status de parceiro comercial preferencial absoluto sobre as demais nações globais. No entanto, segundo o representante, Ottawa considerou a oferta insuficiente e optou por se afastar das tratativas, o que levou os Estados Unidos a prosseguirem normalmente com a execução de sua política tarifária protecionista planejada.
Um dos principais pontos de atrito durante a fase final das reuniões esteve centrado no setor automotivo. A comitiva canadense exigiu a ampliação da margem de isenção para abranger não apenas automóveis de passeio e utilitários leves, mas também categorias inteiras de caminhões pesados. Além disso, a tentativa de Ottawa de impor tributações sobre os lucros de grandes corporações de tecnologia americanas — obrigando plataformas como a Netflix a repassar até 5% de suas receitas para a produção de conteúdo cultural local — foi duramente rejeitada por Washington, que classificou a medida como uma tarifa discriminatória.
Com a interrupção súbita das negociações e o abandono da mesa por parte da equipe canadense, o clima de incerteza volta a atingir as cadeias de suprimento na América do Norte. Enquanto o governo americano reitera que defenderá as empresas de seu país contra taxas e protecionismos externos, setores industriais e agrícolas de ambos os lados aguardam para saber se haverá espaço para uma nova rodada de diálogo ou se as barreiras tarifárias definitivas entrarão em vigor.
Foto: Reprodução / CNBC
Redação – Thiago Salles