Guerra de ofícios no STF! Bastidores fervem com troca de acusações entre ministros às vésperas de julgamento histórico contra Alexandre de Moraes

Política

Uma sucessão avassaladora de mais de 30 ofícios e despachos acelerou a temperatura no Supremo Tribunal Federal. O estopim da crise ocorreu após o ministro André Mendonça derrubar parcialmente o sigilo de investigações da Operação Compliance Zero, tornando pública a perícia da Polícia Federal sobre um contrato de R$ 131 milhões assinado entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.

A reação interna foi imediata e implacável. Moraes acusou publicamente Mendonça de agir com “seletividade” para proteger determinado grupo político e exigiu a abertura de investigações contra o colega por abuso de autoridade e improbidade. O embate atingiu a Polícia Federal quando Mendonça determinou o afastamento temporário do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues — medida que foi revogada em seguida pelo presidente da Corte, Edson Fachin, que assumiu pessoalmente a relatoria do caso Moraes em uma tentativa desesperada de conter o colapso e pacificar o tribunal.

A bancada de ministros rachou em torno do acesso às provas brutas. Os ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes acionaram a Polícia Federal diretamente exigindo a entrega imediata das mídias com os dados do celular de Vorcaro, enquanto o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, alinhou-se a Moraes ao classificar relatórios iniciais como ilegais e pedir o fim total do sigilo dos procedimentos correlatos. Diante da pressão da PGR, Fachin determinou a abertura irrestrita das apurações sobre a rede de pagamentos do Banco Master.

A sessão desta terça-feira (15) colocará o tribunal diante de um impasse inédito: pela primeira vez, um integrante do STF pode passar formalmente à condição de investigado em plenário. O presidente Edson Fachin manobrou para limitar o julgamento de hoje exclusivamente à abertura ou ao arquivamento do inquérito contra Alexandre de Moraes, adiando as apurações contra Mendonça para a próxima semana, enquanto a Corte tenta sobreviver ao mais devastador tiroteio institucional de sua história.

Foto: Alejandro Zambrana / STF | Redação – Thiago Salles

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