Um imóvel ligado ao ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite foi invadido por criminosos na noite de domingo (20), menos de 48 horas depois de ele se apresentar à polícia e ter a prisão temporária cumprida no âmbito da Operação Vectura Corrupta.
A invasão ocorreu por volta das 21h15, na Rua General Bráulio Guimarães, em Santo Amaro, Zona Sul da capital. Uma moradora percebeu movimentação suspeita no portão e acionou a Polícia Militar. Quando os agentes chegaram, os autores já haviam fugido.
Dentro do imóvel, policiais encontraram documentos espalhados, sinais de que o local havia sido revirado e danos no portão da garagem.
O item de maior destaque levado pelos criminosos foi um equipamento de armazenamento das imagens do circuito interno de segurança, descrito nas ocorrências como DVR ou HD das câmeras. A retirada do equipamento passou a integrar a investigação, mas a polícia ainda não afirmou que o objetivo dos invasores era eliminar provas ou apagar registros específicos.
R$ 19 mil ficaram no imóvel
Um dos detalhes que chamaram atenção foi o fato de os criminosos terem deixado dinheiro no local.
Segundo a Polícia Militar, foram encontrados R$ 19.261 em espécie sobre um sofá, além de um celular, um chip, cartões bancários e documentos. Também foram recolhidos dois sacos contendo listas com nomes e valores.
Não havia, até a última atualização, conclusão oficial sobre a origem do dinheiro, a finalidade das listas ou se algum dos itens encontrados tem relação com a investigação envolvendo Milton Leite.
O caso foi registrado no 11º Distrito Policial, em Santo Amaro, e a perícia foi requisitada. A Polícia Civil também busca imagens externas e outras informações que possam ajudar a identificar os autores.
Defesa contesta vínculo direto com imóvel
Embora documentos e objetos encontrados no endereço façam referência a Milton Leite, a defesa apresentou uma versão diferente sobre a propriedade do local.
O advogado do ex-vereador disse ao Metrópoles que o imóvel pertence a um construtor que mantém relação com Leite. Já levantamento da Folha de S.Paulo apontou que a propriedade estaria vinculada à empresa Lesimo, da qual o ex-vereador aparece como sócio e administrador.
A relação exata entre Milton Leite e o imóvel também deverá ser esclarecida ao longo da apuração.
Furto ocorre em meio à Operação Vectura Corrupta
Milton Leite está preso temporariamente desde sexta-feira (18). Ele se apresentou à polícia em Mogi das Cruzes depois de ser alvo de mandado de prisão expedido na Operação Vectura Corrupta, conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo.
A investigação apura suspeitas de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas responsáveis pelo transporte público e possíveis crimes como lavagem de dinheiro, corrupção, fraude em licitações e financiamento ilícito de campanhas.
Segundo a decisão judicial que fundamentou a operação, investigadores suspeitam que Leite seria o “dono de fato” da Transwolff, empresa que já havia aparecido em outras investigações sobre suposta lavagem de recursos para a facção.
Milton Leite nega qualquer vínculo com o PCC e rejeita a afirmação de que seja proprietário da Transwolff. Sua defesa afirma que a relação dele com o setor de transportes sempre foi institucional.
A Justiça manteve a prisão temporária de Leite e de outros investigados após as audiências de custódia realizadas no âmbito da operação. A medida é cautelar e não representa condenação.
Polícia apura se invasão tem alguma ligação com investigação
Até agora, não existe confirmação de que o furto esteja relacionado à Operação Vectura Corrupta.
A proximidade temporal entre a prisão de Milton Leite e a invasão, somada ao desaparecimento do equipamento que armazenava as imagens de segurança, faz com que o episódio seja considerado relevante pelos investigadores. Ainda assim, qualquer ligação entre os dois acontecimentos depende de provas.
A Polícia Civil continua analisando o material recolhido e tentando identificar quem entrou no imóvel, o que exatamente procurava e por que deixou dinheiro e outros bens para trás.
Foto: Reprodução/Câmara Municipal de São Paulo –
Redação – Thiago Salles