A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira a Operação Gemini, ação que investiga um suposto esquema de venda de sentenças judiciais, lavagem de dinheiro e negociação de decisões no âmbito do Judiciário de Mato Grosso.
Entre os principais alvos da operação estão o desembargador afastado Dirceu dos Santos e o deputado estadual Faissal Calil. As medidas autorizadas pela Justiça incluem mandados de busca e apreensão, além da quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados.
Segundo as apurações, os investigadores buscam esclarecer a existência de uma estrutura que teria sido utilizada para negociar decisões judiciais e ocultar a origem de recursos financeiros supostamente ligados ao esquema.
De acordo com informações divulgadas pelas autoridades, os envolvidos poderão responder por crimes como corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro, dependendo dos resultados das investigações em andamento.
O caso ganha ainda mais relevância porque Dirceu dos Santos já havia sido afastado de suas funções anteriormente por decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O magistrado também é investigado em outros procedimentos que analisam possíveis irregularidades envolvendo nepotismo cruzado e recebimento de vantagens indevidas.
Relatórios analisados pelos órgãos de controle apontam que o desembargador teria registrado uma movimentação patrimonial considerada elevada nos últimos anos. Os investigadores apuram se os valores identificados possuem compatibilidade com os rendimentos oficialmente declarados.
Além da operação da Polícia Federal, o CNJ deve analisar medidas administrativas relacionadas ao caso, incluindo a possível abertura de um Processo Administrativo Disciplinar e a manutenção do afastamento cautelar do magistrado.
A Operação Gemini ocorre em um momento de intensificação das investigações envolvendo suspeitas de corrupção e comercialização de decisões judiciais em diferentes esferas do sistema de Justiça brasileiro.
Em nota, a Polícia Federal informou que a investigação busca aprofundar a análise sobre a possível negociação de decisões judiciais e rastrear o fluxo financeiro relacionado aos fatos apurados. Até o momento, as defesas dos investigados não haviam divulgado posicionamentos oficiais sobre o caso.
Foto: Polícia Federal
Redação – Thiago Salles