O sistema financeiro brasileiro foi sacudido nesta quinta-feira (15) após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial da Reag, instituição financeira investigada por envolvimento em uma suposta ciranda financeira que teria inflado artificialmente ativos ligados ao chamado caso Master.
A decisão veio apenas um dia depois da deflagração da segunda fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que apura o uso irregular de fundos de investimento para maquiar o patrimônio de instituições financeiras. A investigação avançou sobre endereços vinculados a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, além de parentes e empresários de grande influência no mercado.
Entre os nomes citados na apuração estão Nelson Tanure e João Carlos Mansur, apontado como ex-controlador da gestora investigada e suspeito de ligação com práticas ilícitas. Um dos episódios que mais chamou atenção foi a prisão do cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, detido enquanto se preparava para deixar o Brasil em um jatinho com destino a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Ele foi liberado poucas horas depois.
No ato que oficializou a liquidação, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, nomeou a APS Serviços Especializados de Apoio Administrativo como responsável pelo processo, tendo Antonio Pereira de Souza como técnico responsável pela condução dos trabalhos.
Atualmente denominada CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, a instituição se enquadrava no segmento S4, destinado a empresas de pequeno porte, representando menos de 0,001% dos ativos totais do sistema financeiro nacional. Ainda assim, segundo o BC, foram identificadas infrações graves às normas que regem o funcionamento do mercado financeiro.
Em nota oficial, o Banco Central afirmou que seguirá aprofundando as apurações e que os desdobramentos podem resultar em sanções administrativas adicionais, além de comunicações formais a outras autoridades competentes, conforme prevê a legislação.
Foto:Marcelo Camargo
Redação Brasil News