Mesmo com familiares próximos presos em diferentes frentes de investigação relacionadas ao antigo Banco Master, Natália Vorcaro Zettel continua associada a uma ampla estrutura empresarial. Segundo levantamento publicado pela Agência Pública nesta sexta-feira (18), ela aparece ligada a 54 empresas, cujo capital somado ultrapassa R$ 796 milhões.
De acordo com a apuração, 37 dessas empresas não possuem anotação judicial que impeça movimentações financeiras. Natália aparece como representante legal ou administradora em 33 companhias, como diretora em 13 e como presidente em oito. As atividades incluem holdings, investimentos, gestão de negócios, participação societária e empreendimentos imobiliários.
Outro dado que chama atenção é a concentração dos registros. A reportagem identificou que 35 empresas funcionam oficialmente no mesmo endereço, uma sala comercial em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Outras sete estão registradas no mesmo andar de um edifício na capital mineira. Algumas aparecem ainda como sócias umas das outras.
O pai de Natália, Henrique Vorcaro, aparece em 22 das empresas relacionadas no levantamento. Já Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, não figura oficialmente nessas sociedades, enquanto Fabiano Zettel, marido de Natália, aparece como sócio de apenas uma delas.
A situação empresarial passou também a despertar atenção do Ministério Público Federal. Uma representação criminal foi protocolada na Procuradoria Regional da República em São Paulo pelos deputados Kiko Celeguim, federal, e Maurici, estadual. Os parlamentares afirmam ter encontrado indícios que, na avaliação deles, justificam a apuração de possíveis crimes de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial. O MPF confirmou à Agência Pública que a representação existe e segue em tramitação, mas informou que não pode fornecer detalhes porque o caso está sob sigilo.
Entre os negócios analisados pelos autores da representação estão aquisições imobiliárias feitas diretamente por Natália e por empresas ligadas a ela. A apuração citada pela reportagem examinou 13 imóveis comprados por Natália e outros 15 relacionados à Ephesus Empreendimentos e Participações, companhia na qual ela aparece como representante legal. Esses dados integram a representação e não significam, por si só, comprovação de irregularidade.
A Agência Pública informou que procurou a Polícia Federal para saber se Natália é formalmente investigada, mas a corporação não confirmou essa informação. Natália também não respondeu aos contatos feitos pelo veículo até a publicação da reportagem.
Familiares seguem presos
O irmão de Natália, Daniel Vorcaro, permanece preso e é alvo de investigações envolvendo suspeitas de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção e fraudes financeiras. Informações recentes também confirmam que seu pai, Henrique Vorcaro, e o cunhado Fabiano Zettel continuam presos.
Zettel está em prisão preventiva desde março de 2026. Sua defesa pediu nesta semana ao presidente do STF, Edson Fachin, a revogação da prisão, alegando razões humanitárias e questionando a duração da medida. A Procuradoria-Geral da República se manifestou contra o pedido.
Henrique Vorcaro, por sua vez, foi preso em maio no curso das investigações e deverá prestar novo depoimento à Polícia Federal no fim de setembro em um inquérito que apura o suposto uso de uma estrutura privada para intimidações e ataques contra críticos do grupo.
Também aparece no caso o primo Felipe Cançado Vorcaro, preso em maio e citado em investigações que tratam de supostos pagamentos e intermediações financeiras. As acusações continuam sob apuração e não equivalem a condenações definitivas.
O conjunto de empresas ligado a Natália agora passa a integrar mais um capítulo do caso Master. A existência da representação no MPF significa que as informações apresentadas pelos parlamentares serão analisadas pelas autoridades competentes; até o momento, não há decisão judicial que declare Natália culpada dos crimes apontados pelos autores do pedido de investigação.

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Redação – Thiago Salles