Uma operação contra corrupção dentro da máquina pública de São Paulo revelou um esquema de grandes proporções envolvendo servidores da área tributária. Batizada de Operação Fisco Paralelo, a ação resultou na apreensão de mais de R$ 1,5 milhão em dinheiro e bens de luxo, além da prisão de um agente fiscal.
As investigações apontam que o grupo criminoso atuava para manipular créditos de ICMS e reduzir penalidades fiscais em troca de propina, beneficiando empresas do setor varejista. O esquema envolveria servidores públicos, contadores e empresários.
Durante o cumprimento dos mandados, foram encontrados cerca de R$ 500 mil em espécie, além de ao menos 12 relógios de luxo avaliados em aproximadamente R$ 1 milhão. As apreensões ocorreram em endereços de alto padrão, incluindo condomínios de luxo e imóveis em bairros nobres da capital paulista.
Entre os principais alvos está Fernando Alves dos Santos, que foi preso preventivamente. Segundo o Ministério Público, ele exercia papel central no esquema, com influência sobre decisões administrativas e distribuição de processos fiscais.
Outro nome citado nas investigações é o auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, considerado um dos principais articuladores da organização criminosa.
As apurações indicam ainda a participação de uma executiva ligada à Carrefour, suspeita de manter contato direto com integrantes do esquema para obtenção de benefícios fiscais irregulares.
Ao todo, foram cumpridos 22 mandados de busca e apreensão em cidades como São Paulo, Campinas, Vinhedo e São José dos Campos. A maioria dos investigados tem ligação com a Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo.
De acordo com o Ministério Público, o esquema pode ter causado prejuízos bilionários aos cofres públicos, superando investigações anteriores sobre fraudes tributárias no estado.
A operação é um desdobramento de investigações iniciadas em 2025 e conta com apoio de diferentes órgãos de combate ao crime organizado. Os envolvidos poderão responder por crimes como corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Em nota, a Secretaria da Fazenda informou que colabora com as investigações e reforçou o compromisso com o combate a irregularidades dentro da administração pública.

Foto: Divulgação/Ministério Público
Redação – Thiago Salles