Consumo em queda: Por que os supermercados venderam menos comida no fim de 2025?

Economia

O fechamento de 2025 trouxe um dado inesperado para o setor supermercadista brasileiro. Mesmo com a inflação de alimentos perdendo fôlego no segundo semestre e o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) terminando o ano dentro da meta, o volume de vendas nos caixas recuou. Dezembro, tradicionalmente o mês de maior pujança devido ao 13º salário e às festas, foi o pior período do ano para o segmento.

O Raio-X dos Números

De acordo com dados da plataforma Scanntech, que monitora bilhões de tíquetes em todo o país, o varejo de alimentos apresentou os seguintes indicadores em dezembro de 2025 (comparado ao mesmo período de 2024):

  • Volume de vendas (unidades): Queda de 5,5%.
  • Faturamento nominal: Recuo de 2,5%.
  • Preço médio por item: Alta de 3,2%.

Esta é a primeira vez em três anos que o mês de dezembro registra uma retração no faturamento anual, quebrando um ciclo de crescimento histórico para o período.

Para onde está indo o dinheiro do brasileiro?

Se a inflação deu trégua e a renda subiu, por que as despensas não ficaram mais cheias? Economistas identificam três vilões principais para o setor de bens:

  1. A Ascensão dos Serviços: Atualmente, os serviços (lazer, educação, saúde, etc.) abocanham 48,7% do orçamento familiar, contra apenas 33,6% em 2008. O brasileiro está gastando mais com experiências e menos com produtos físicos.
  2. O Efeito das “Bets”: As apostas online tornaram-se um ralo financeiro. Dados do Banco Central indicam movimentações mensais superiores a R$ 30 bilhões, competindo diretamente com o dinheiro que seria destinado à cesta básica.
  3. Endividamento e Juros: Com as taxas de juros ainda elevadas, o consumidor prioriza o pagamento de dívidas acumuladas.

Reação: Temporada de Promoções Agressivas

O estoque acumulado e a frustração das metas de vendas em dezembro forçaram as redes a agir rápido em janeiro de 2026. Em grandes centros como São Paulo, redes de supermercados iniciaram “queimas de estoque” com descontos que chegam a 50% em itens essenciais como carnes, café e ovos.

“Janeiro está sendo um mês desafiador devido às despesas sazonais como IPVA, IPTU e material escolar”, explica Hélio Freddi, diretor da rede Hirota. O objetivo das promoções é gerar caixa imediato para cobrir os custos operacionais do início do ano, em um cenário onde o consumidor está mais seletivo do que nunca.

Foto: Criança está em um carrinho de compras enquanto aponta produtos de limpeza ao lado de sua mãe em um supermercado em São Paulo, Brasil  • 24/11/2011REUTERS/Nacho Doce

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