Conflitos e incêndio em acampamento elevam tensão em Ceuta após chegada em massa de migrantes.

Internacional

A tensão social e política atingiu níveis críticos no enclave espanhol de Ceuta, localizado no Norte da África, após uma onda de protestos violentos registrada nesta semana. O ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, fez um pronunciamento de emergência no Parlamento em Madri para condenar os episódios de hostilidade e clamar pelo fim dos confrontos entre moradores locais, forças policiais e migrantes marroquinos.

A escalada da crise ocorre quase um mês após a entrada massiva de cerca de 80 mil pessoas vindas do Marrocos no final de julho. Embora a maior parte do contingente já tenha deixado o território, estimativas locais indicam que entre 5 mil e 10 mil migrantes permanecem abrigados em condições precárias, acampados em praias e espaços públicos. Na quinta-feira, manifestantes locais incendiaram parte de um acampamento na Praia de Benítez e tentaram bloquear o tráfego de caminhões da Cruz Vermelha que transportavam alimentos e água potável.

Durante os distúrbios, doze marroquinos foram detidos após o apedrejamento de um veículo militar que feriu um soldado espanhol. O presidente do governo local de Ceuta, Juan Vivas, reforçou o pedido de serenidade, afirmando que “ninguém deve fazer justiça com as próprias mãos”, embora tenha classificado a insatisfação da população local como compreensível diante do colapso dos serviços públicos e do sentimento de insegurança.

No âmbito político em Madri, a crise migratória reacendeu o embate entre o governo central de esquerda e a oposição de direita. Enquanto partidos conservadores exigem a repatriação imediata de todos os estrangeiros em situação irregular, o Ministério do Interior defende que a legislação internacional exige a triagem individualizada de solicitações de asilo. A situação no pequeno território de 18,5 quilômetros quadrados segue classificada como emergência humanitária e de segurança nacional.

Foto: Antonio Sempere / AFP

Redação – Thiago Salles

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *