O cenário no Oriente Médio se torna cada vez mais explosivo. Nesta quinta-feira, milhares de pessoas ocuparam as ruas de Teerã e de outras cidades iranianas para acompanhar um enterro coletivo que reuniu vítimas da escalada de confrontos no país. A cerimônia teve forte apelo simbólico e foi apresentada pelo governo como prova de que civis e agentes de segurança também estão entre os mortos.
Enquanto isso, sinais vindos de Washington indicam que um ataque dos Estados Unidos ao Irã pode ocorrer em questão de dias. Autoridades americanas retiraram pessoal considerado não essencial da base aérea de Al Udeid, no Catar, a principal instalação militar dos EUA na região.
Segundo informações divulgadas pelo New York Times, o Pentágono apresentou ao presidente Donald Trump um conjunto de opções militares. Entre os cenários mais discutidos estão bombardeios direcionados à infraestrutura de segurança interna iraniana e operações de ciberataques. Paralelamente, ao menos três destróieres e um submarino norte-americanos com capacidade de lançamento de mísseis já estariam posicionados nas águas do Oriente Médio.
A situação interna do Irã também se agrava. O país enfrenta um apagão quase total de internet há cerca de uma semana, dificultando a comunicação e o acesso à informação. O governo iraniano afirma que parte da violência é resultado da atuação de agentes estrangeiros ou de grupos armados internos, relatando inclusive casos extremos, como a morte de uma vítima por decapitação.
No campo diplomático, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, acusou Israel de tentar arrastar os Estados Unidos para um conflito direto. Reportagens do jornal Haaretz apontam que Tel Aviv estaria envolvida em campanhas digitais, em língua persa, incentivando a derrubada do regime liderado pelo aiatolá Ali Khamenei.
Israel também manifesta apoio a Reza Pahlavi, filho do xá deposto na Revolução Islâmica de 1979, que hoje atua politicamente a partir de Washington. No entanto, a oposição iraniana é diversa e inclui desde monarquistas até grupos de esquerda, como o banido Partido Comunista Tudeh.
Organizações não governamentais sediadas nos EUA estimam que o número de mortos desde o início das manifestações varie entre centenas e alguns milhares. Essas estimativas, porém, são contestadas. O site Grayzone afirma que parte dessas ONGs recebe recursos do National Endowment for Democracy (NED), entidade financiada pelo Congresso americano e frequentemente associada a ações de influência política em outros países.
Segundo o Grayzone, vídeos ignorados pela grande mídia mostram episódios de violência cometidos por grupos armados em meio aos protestos, incluindo linchamentos, incêndios e ataques a prédios públicos. O portal sustenta que a narrativa predominante no Ocidente enfatiza apenas a repressão estatal, deixando de lado crimes atribuídos a setores radicais da oposição.
Com acusações cruzadas, movimentação militar intensa e instabilidade interna, o Irã se encontra no centro de uma crise que pode ultrapassar fronteiras. A possibilidade de um confronto direto com os Estados Unidos eleva o temor de uma guerra regional, com impactos imprevisíveis para o mundo.
Foto: Reuters
Redação Brasil News