O governo da China anunciou nesta quarta-feira (31) a adoção de medidas de salvaguarda que restringem a importação de carne bovina. A decisão foi divulgada pelo Ministério do Comércio da China e passa a valer a partir desta quinta-feira (1º), com duração prevista de três anos, até o fim de 2028.
As novas regras estabelecem cotas de importação por país. Caso os volumes sejam ultrapassados, será aplicada uma tarifa adicional de 55%, somada aos impostos já existentes. A medida acende um alerta no agronegócio brasileiro, já que o Brasil é atualmente o maior fornecedor de carne bovina ao mercado chinês.
Para 2026, o Brasil terá uma cota de 1,106 milhão de toneladas livres de tarifa extra. Em 2027, o volume sobe para 1,128 milhão de toneladas e, em 2028, chega a 1,154 milhão. Os números contrastam com o ritmo atual das exportações: apenas até novembro deste ano, o Brasil já havia vendido cerca de 1,499 milhão de toneladas de carne bovina à China, movimentando mais de US$ 8 bilhões.
Autoridades brasileiras e representantes do setor produtivo já consideravam a decisão praticamente certa. Nos bastidores, o entendimento era de que Pequim adotaria uma salvaguarda classificada como “moderada”, buscando reduzir impactos diplomáticos, mas sinalizando proteção ao mercado interno chinês.
Além do Brasil, outros grandes exportadores também serão afetados. A Argentina terá uma cota de 511 mil toneladas, seguida por Uruguai (324 mil), Nova Zelândia (206 mil), Austrália (205 mil) e Estados Unidos (164 mil toneladas) em 2026. Mesmo assim, o Brasil segue com a maior fatia, respondendo por cerca de 45% de toda a carne bovina importada pela China.
Ao justificar a decisão, o governo chinês alegou que o aumento expressivo das importações causou prejuízos significativos à indústria local, pressionando preços pagos aos pecuaristas e reduzindo o valor da carne no mercado interno. Segundo o Mofcom, há relação direta entre o crescimento das importações e os danos à produção nacional, argumento já apresentado à Organização Mundial do Comércio.
O ministério chinês informou ainda que as medidas poderão ser revistas ao longo do período de vigência e que as cotas não utilizadas não poderão ser transferidas para anos seguintes. Apesar disso, o anúncio reforça a preocupação do agro brasileiro com possíveis perdas de mercado e redução de receitas em um dos seus principais destinos de exportação.

Foto: Divulgação / Frigorífico Astra
Redação Brasil News