A Bolívia vive um novo capítulo político após a vitória do senador Rodrigo Paz, que conquistou 54,5% dos votos nas eleições presidenciais realizadas neste domingo (19). O economista de 58 anos superou o ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga, que obteve 45,6%, segundo dados do Tribunal Supremo Eleitoral, com 97% das urnas apuradas.
A eleição simboliza o retorno da direita ao poder após duas décadas de hegemonia de governos de esquerda. O resultado ocorre em meio à pior crise econômica do país desde os anos 1990, marcada por inflação alta, desvalorização do boliviano e falta de combustíveis.
Filho do ex-presidente Jaime Paz Zamora (1989-1993), Rodrigo nasceu na Espanha, onde sua família viveu durante o exílio político. Durante a campanha, apostou em um discurso próximo do povo, visitando feiras e mercados, e ganhou destaque com a parceria de seu vice, Edman Lara, ex-policial conhecido nas redes por denunciar casos de corrupção.
O novo presidente herda um cenário desafiador: a Bolívia enfrenta queda de 2,4% no PIB no primeiro semestre de 2025 e inflação acumulada de 18,3% até setembro. Produtos básicos, como o frango, dobraram de preço nos últimos meses.
Paz, que integra o Partido Democrata Cristão, promete um “capitalismo para todos”, com programas de crédito a jovens empreendedores, incentivos fiscais e combate firme à corrupção. Ele também descartou buscar empréstimos do Fundo Monetário Internacional (FMI).
“Na Bolívia, se não roubarem, o suficiente aparece”, declarou recentemente em entrevista à rádio Erbol.
Com o novo governo, a população boliviana deposita esperanças em uma virada econômica e política, após anos de estagnação e escassez.
Foto: Marcelo Gomez/AFP