Auditoria aponta descontrole grave no uso de materiais da Nike no Corinthians e cita vice-presidente como peça-chave.

Esportes

O Corinthians enfrenta um novo capítulo de turbulência administrativa após a conclusão de uma auditoria que expôs um amplo conjunto de falhas no controle e na distribuição dos materiais fornecidos pela Nike. O documento, solicitado pela presidência do clube, aponta inconsistências graves, desvios de itens e até casos de comercialização clandestina de uniformes.

Almoxarifado do Parque São Jorge — Foto: Reprodução

Segundo o relatório, o clube retirou um volume de produtos quase três vezes superior ao limite previsto em contrato. Entre 2024 e 2025, foram recebidos mais de R$ 23,7 milhões em materiais, quando a cota permitida era de apenas R$ 4 milhões por ano. Embora a Nike não cobre pelos excedentes, o acúmulo sem critérios e a ausência de rastreabilidade criaram um cenário de caos logístico.

O levantamento também revela que diversos departamentos — especialmente categorias de base, futsal, esportes aquáticos e modalidades terrestres — seguem trabalhando com uniformes desatualizados ou em má condição. Em alguns setores, peças apresentavam desgaste extremo, remendos e desbotamento. Em outros, a distribuição simplesmente não ocorreu, obrigando o clube a gastar mais de R$ 700 mil na compra de itens licenciados, mesmo tendo estoque oficial disponível.

Materiais disponibilizados às categorias de base do Corinthians em condições precárias — Foto: Reprodução

Em contraste com a escassez em várias áreas, o relatório identificou retiradas constantes de materiais por parte de diretores e funcionários, muitas delas sem registro formal. O vice-presidente Armando Mendonça aparece como protagonista nesse processo: entre junho e outubro de 2025, foram separados para ele 131 itens, além de camisas adicionais solicitadas para ações de relacionamento em dias de jogo. O documento descreve episódios em que o dirigente retirou materiais diretamente do CT Joaquim Grava sem cumprir o fluxo de autorização.

Outro ponto crítico envolve a falta de camisas brancas para o time profissional. Às vésperas de jogo contra o Fluminense, o clube descobriu que não havia quantidade suficiente para montar o uniforme principal. Sem tempo hábil para reposição, o Corinthians teve que pedir ao adversário para que ambas as equipes utilizassem seus uniformes reservas.

A auditoria também confirmou a existência de um esquema de venda clandestina de peças oficiais. Um funcionário do clube foi flagrado comercializando camisas desviadas por valores entre R$ 150 e R$ 180. O relatório indica que parte dessas operações ocorria tanto dentro do Parque São Jorge quanto em áreas externas.

Além das irregularidades administrativas, o documento relata que o vice-presidente teria adotado postura hostil durante o processo de investigação, com falas interpretadas como ameaças ao diretor de Tecnologia, responsável pela auditoria. Há ainda referências a intervenções diretas em reuniões e tentativas de interferência no andamento dos trabalhos.

Ao ser procurado, Armando Mendonça negou irregularidades, disse não ser responsável pela política de distribuição interna dos materiais e afirmou que o relatório possui viés tendencioso. Ele declarou ter atuado para melhorar o controle dos itens, negou qualquer tipo de ameaça e alegou que suas retiradas foram destinadas a ações institucionais.

Uniformes especiais do Corinthians, com patches da NFL, que relatório aponta terem sido solicitados por Armando Mendonça — Foto: Reprodução

Cópias do relatório foram encaminhadas ao presidente Osmar Stabile, ao Conselho Deliberativo e à Polícia Civil, que conduz investigação paralela sobre o caso. A auditoria recomenda 17 mudanças estruturais para recuperar o controle dos fluxos de materiais e corrigir falhas sistêmicas.


Foto: Emilio Botta
Redação Brasil News

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