Ana Paula Noronha foca na ginecologia regenerativa aplicada a gestantes de alto risco

Saúde e Bem Estar

Da radiofrequência íntima à investigação da trombofilia, a médica mostra como prevenção, tecnologia e humanização podem caminhar juntas no cuidado com a saúde feminina

A obstetra e ginecologista Ana Paula Noronha Senise construiu sua trajetória profissional a partir de um desejo que nasce na infância e atravessa décadas de dedicação. Hoje, ela se divide entre gestantes de alto risco, consultas especializadas em ginecologia funcional e exames de videohisteroscopia.

Em todas essas frentes, a médica carrega uma marca que se tornou o centro de sua prática: a escuta atenta. “Eu faço diferença na vida do outro. A consulta dura o tempo que precisa durar”, explica. É nesse equilíbrio entre técnica e acolhimento que ela conduz a rotina, mantendo firme a convicção de que cuidar da saúde da mulher vai muito além do protocolo.

A descoberta na obstetrícia

Criada na Baixada Fluminense, na região metropolitana do Rio de Janeiro, Ana Paula recorda-se de uma infância marcada por maturidade precoce e por um desejo muito claro: ser médica. “Desde pequena eu já tinha essa vontade, esse desejo nato”, relembra. A ausência de médicos na família nunca foi obstáculo. Ao contrário, reforçou sua determinação.

Durante a faculdade, experimentou diferentes áreas até se deparar com a obstetrícia. O impacto foi imediato. Ao assistir ao nascimento de um bebê, desmaiou, levantou-se e pediu para ver outro. “Ali eu entendi o meu lugar. Era isso que eu queria viver”, conta.

A formação prática ganhou força em uma maternidade filantrópica do Rio de Janeiro, a Pro Matre, que aceitava acadêmicos com sede de aprendizado. “Eles amavam acadêmicos, porque nós queríamos aprender e ajudar. Foi ali que tudo começou”, lembra. Essa vivência consolidou sua ligação com partos e abriu espaço para a residência médica em ginecologia e obstetrícia.

Videohisteroscopia e novas respostas para a saúde uterina

Entre os recursos que Ana Paula utiliza no consultório, a videohisteroscopia ocupa papel de destaque. Trata-se de um exame em que uma câmera é introduzida no útero para visualizar diretamente o endométrio e estruturas internas. O procedimento permite tanto diagnóstico quanto pequenas intervenções. “É uma endoscopia ginecológica. Eu avalio pólipos, miomas e faço o diagnóstico do câncer de endométrio, comum após os 50 anos”, explica.

A videohisteroscopia também se relaciona com a fertilidade. Em mulheres com dificuldade para engravidar, o exame fornece informações detalhadas, que muitas vezes não aparecem em ultrassons ou ressonâncias. “A infertilidade está muito atrelada a esse exame. Preciso da biópsia do endométrio para ter respostas”, detalha. Além disso, a técnica auxilia no acompanhamento de contraceptivos. “Quando coloco ou retiro um DIU, passo o histeroscópio para verificar se ele está bem posicionado ou se deixou alguma lesão”, acrescenta.

Ao integrar diagnóstico e tratamento, o procedimento representa ganho em precisão e conforto. Hoje, casos que antes exigiam internação hospitalar podem ser resolvidos de forma ambulatorial. A médica destaca que, ao oferecer respostas mais rápidas, evita ansiedade desnecessária e permite que cada mulher siga o tratamento adequado com segurança.

Ginecologia regenerativa e funcional

Nos últimos anos, Ana Paula se dedica a uma área em expansão: a ginecologia regenerativa e funcional. O campo reúne tecnologias como radiofrequência, laser e bioestimuladores aplicados à região íntima. O objetivo é atuar tanto na estética quanto na funcionalidade. “Não é marketing, é ciência voltada para o bem-estar da mulher”, resume.

A médica explica que muitas pacientes chegavam ao consultório após a menopausa ainda com queixas. Mesmo em reposição hormonal, relatavam dor na relação, ressecamento, fissuras e até perda urinária em atividades simples. “Eu ficava de mãos atadas. Foi aí que descobri que existiam recursos a mais”, relembra.

Os protocolos de radiofrequência e laser permitem regenerar a mucosa vaginal, melhorar a lubrificação e devolver firmeza à região íntima. Pacientes com incontinência urinária leve, que antes tinham poucas alternativas, passaram a encontrar novas opções. “Elas voltam chorando, agradecidas, porque conseguem ter relação de novo, sem dor”, relata. Para ela, o impacto vai além da saúde física. “Não é só estética. É funcional. É devolver qualidade de vida, regenerar a mucosa vaginal e permitir que a mulher envelheça com dignidade.”

A ginecologia regenerativa também incorpora o uso de ácido hialurônico e bioestimuladores de colágeno, recursos já consagrados na dermatologia, agora aplicados de forma criteriosa na saúde íntima. Ao falar sobre o tema, Ana Paula é enfática: “Se você pode fazer botox no rosto, por que não usar um bioestimulador de colágeno na área íntima?”, reflete.

Condilomas, jato de plasma e segurança

Outro ponto que a médica ressalta é o tratamento de lesões por HPV. Tradicionalmente, o ácido tricloroacético é utilizado para eliminar condilomas, mas pode causar queimaduras ao redor da lesão. O jato de plasma surgiu como alternativa. “Ele destrói o condiloma sem lesionar a pele em volta. Resolve em menos sessões e com mais segurança”, explica.

O equipamento também encontra aplicação em retrações leves da mucosa. Mulheres que não desejam cirurgia para redução de pequenos lábios podem ter benefício com protocolos específicos. Em casos de plicoma, aquela pele residual próxima ao ânus e à vagina, o recurso também se mostra eficaz. “É fantástico. Em duas sessões já consigo resolver quando a paciente não quer cirurgia”, acrescenta.

Apesar dos benefícios, a médica faz uma ressalva: nem todos os casos podem ser tratados desta forma. “Há situações em que apenas a cirurgia é indicada. O jato de plasma é um recurso importante, mas deve ser usado com critério”, reforça. Dessa forma, a tecnologia se soma às opções disponíveis, sem substituir condutas tradicionais quando estas são necessárias.

Gestação de alto risco e o impacto da trombofilia

A atuação em obstetrícia de alto risco segue sendo um dos pilares de sua prática. Muitas mulheres chegam ao consultório depois de experiências difíceis. “Eu recebo aquelas que estão traumatizadas, que não deram certo em outro lugar. Minha responsabilidade aumenta”, relata.

Entre os diagnósticos que mais exigem atenção está a trombofilia, condição que eleva o risco de trombose e pode resultar em complicações graves. “É uma das principais causas de perdas gestacionais. O diagnóstico precoce muda tudo”, alerta. O rastreamento pode envolver exames genéticos, laboratoriais e análise do histórico familiar. A prevenção inclui desde mudanças de estilo de vida até terapias medicamentosas específicas.

Ana Paula reforça que a preparação para a gestação se torna cada vez mais necessária. “Hoje não dá para engravidar do nada. Tem que perder peso, rastrear infecções, avaliar fatores hereditários. Isso reduz riscos”, afirma. Ainda assim, muitas vezes a gestação já se inicia em condições adversas. Nesses casos, o acolhimento faz diferença. “Sem pânico. Um dia de cada vez. Eu respiro junto. Coloco terapia, mensagens diretas, acompanho de perto. É parceria”, descreve.

Modernidade, escuta ativa e acolhimento

Se o avanço tecnológico traz novas possibilidades, a complexidade da vida contemporânea impõe outros desafios. A médica observa que muitas pacientes carregam múltiplas pressões: carreira, família, imagem social. “O principal desafio, hoje, é lidar com a cabeça da mulher moderna. É muita coisa para dar conta”, comenta.

Ela relembra o caso de uma paciente de 37 anos, bem-sucedida profissionalmente, que queria engravidar sem nunca ter refletido sobre o desejo real de ser mãe. “Perguntei se era isso que ela queria. Ela nunca tinha parado para pensar. Estava seguindo um modelo”, recorda. Para Ana Paula, a escuta ativa é tão importante quanto o exame físico. “A técnica a gente estuda. Mas precisamos compreender a mulher em toda a sua complexidade”, ressalta.

Essa postura reflete sua visão sobre o papel do médico. “Medicina é doação. Eu me dou além do valor da consulta. É escuta, é presença, é empatia”, afirma. No consultório, esse cuidado se traduz em consultas longas, disponibilidade de contato e acompanhamento contínuo.

Ética, futuro e novos projetos

A presença digital, segundo a médica, precisa ser exercida com responsabilidade. “As redes viram vitrine. Eu ensino o que é seguro. Eu desfaço mito. Eu não prometo resultado”, explica. A recomendação para pacientes é clara: “Escolham quem tem residência, RQE e formação sólida. Procurem quem estuda. Título importa”, adverte.

O futuro inclui um sonho em construção: a abertura de uma clínica voltada exclusivamente ao público feminino. “Quero um espaço onde ela faça exames e receba atendimento no mesmo lugar, com equipe que acolha como eu acredito”, projeta. Além da infraestrutura, planeja investir em pesquisa. “Minha conclusão da pós-graduação vai focar radiofrequência. Eu quero contribuir com dados e método”, adianta.

Entre planos e conquistas, preserva o mesmo entusiasmo que a guiou desde o primeiro parto. Para ela, a força está em unir gratidão, ética e ciência em cada encontro com suas pacientes. “Eu estou aqui para caminhar junto. Um passo por vez. Com segurança”, destaca.

CRM 5282960-9 |  RQE 57047

Instagram: @draanapaulansenise
Site: https://www.draanapaulanoronha.com.br

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