Nem a carne escapa: crise na Argentina derruba consumo ao pior nível em 20 anos sob governo Milei.

Internacional

A crise econômica na Argentina ganhou um novo símbolo alarmante: o consumo de carne bovina atingiu o menor nível dos últimos 20 anos no país conhecido mundialmente por sua tradição no churrasco.

Dados divulgados pelo setor pecuário argentino apontam que o consumo anual caiu para apenas 44,5 quilos por habitante em abril de 2026 — um tombo histórico quando comparado aos mais de 63 quilos registrados duas décadas atrás.

A forte queda acontece em meio ao governo do presidente Javier Milei, que implantou um rígido pacote de ajuste fiscal, cortes públicos e medidas econômicas liberais desde que assumiu a presidência.

Enquanto os preços seguem disparando, milhões de argentinos perderam poder de compra. Segundo os números divulgados pelo Instituto Argentino de Promoção da Carne, a carne bovina acumulou aumento superior a 60% em apenas um ano.

Com salários pressionados pela inflação, muitas famílias passaram a reduzir drasticamente o consumo de um dos alimentos mais tradicionais do país.

O cenário criou um contraste impressionante: ao mesmo tempo em que os argentinos enfrentam dificuldade para comprar carne, as exportações do produto dispararam. Apenas no primeiro trimestre de 2026, as vendas internacionais cresceram mais de 50% e ultrapassaram a marca de US$ 1 bilhão.

Especialistas apontam que a política econômica adotada pelo governo fortaleceu o setor exportador, impulsionado pelo dólar, enquanto o mercado interno sofre com a perda de renda e o encarecimento dos alimentos.

A crise já começa a provocar mudanças extremas nos hábitos alimentares da população. Reportagens publicadas recentemente na imprensa argentina mostraram o aumento do consumo de carnes alternativas e mais baratas em algumas regiões do país, cenário considerado impensável há poucos anos.

Historicamente associada à fartura de carne bovina e ao tradicional churrasco, a Argentina agora enfrenta uma realidade completamente diferente, marcada por inflação persistente, desemprego e forte retração no consumo.

O caso vem repercutindo internacionalmente e se tornou um dos retratos mais simbólicos da atual situação econômica enfrentada pelos argentinos.

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