A decisão do Irã de reabrir o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas energéticas do mundo, provocou uma forte queda no preço do petróleo internacional nesta sexta-feira (17). O barril do tipo Brent recuou cerca de 10%, refletindo um alívio imediato no mercado global após semanas de tensão geopolítica.
O estreito é estratégico para o comércio mundial, responsável por cerca de 20% do fluxo de petróleo e gás natural liquefeito. Com a retomada da circulação de navios, o risco de desabastecimento diminui, o que pressiona os preços para baixo.
No Brasil, o impacto pode ser sentido principalmente no preço dos combustíveis. A tendência é de redução nos custos do diesel, gasolina e querosene de aviação, embora esse efeito não seja imediato e possa levar semanas para chegar ao consumidor final.
A queda ocorre em um momento em que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já vinha adotando medidas para conter a alta dos combustíveis, incluindo subsídios e redução de impostos, especialmente no diesel — combustível essencial para transporte de mercadorias e produção agrícola.
Com o recuo global do petróleo, essas políticas podem ganhar reforço, já que o preço internacional influencia diretamente o mercado interno. Além disso, a redução pode ajudar a contornar dificuldades na implementação de subsídios, que enfrentaram resistência de grandes distribuidoras.
Por outro lado, o cenário também traz um efeito menos positivo. O Brasil se tornou, nos últimos anos, exportador líquido de petróleo. Isso significa que preços mais baixos podem reduzir receitas com exportações e impactar a balança comercial.
Estudos recentes indicam que, diferente do passado, a alta do petróleo passou a beneficiar o país no cenário externo. Assim, a queda atual pode reduzir esse ganho, mesmo trazendo alívio interno nos combustíveis.
Outro reflexo imediato foi observado no mercado financeiro. O real se valorizou frente ao dólar, acompanhando a melhora na percepção de risco global após a diminuição das tensões no Oriente Médio.
O cenário reforça como o Brasil está diretamente conectado às oscilações do mercado internacional de energia: enquanto consumidores podem se beneficiar com preços mais baixos, o país como exportador também sente os efeitos dessa variação.
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Redação – Thiago Salles