Brasil corre risco com diesel caro e dependência externa expõe fragilidade histórica.

Economia

O Brasil ainda enfrenta uma dependência significativa da importação de diesel, o que aumenta a vulnerabilidade do país diante de crises internacionais e oscilações no mercado global. Segundo o especialista Eberaldo de Almeida Neto, ex-presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), entre 25% e 30% do combustível consumido no país vem do exterior.

O alerta ocorre em um momento sensível, marcado pelo período de colheita agrícola, quando a demanda por diesel cresce de forma expressiva. O combustível é essencial tanto para o funcionamento de máquinas no campo quanto para o transporte da produção, ampliando a pressão sobre o abastecimento.

Outro fator que agrava o cenário é a forte dependência do transporte rodoviário no Brasil. Diferentemente de outros países de grande extensão territorial, que utilizam mais ferrovias e hidrovias, o país ainda concentra grande parte da logística nas estradas — modelo que consome mais diesel e eleva custos.

Além disso, há uma defasagem relevante entre o preço praticado internamente e o valor no mercado internacional. Enquanto o diesel vendido nas refinarias brasileiras tem preço mais baixo, o combustível importado chega com valores mais elevados, o que pode pressionar reajustes futuros.

O cenário global também contribui para a instabilidade. Conflitos internacionais, especialmente no Oriente Médio, afetam diretamente o fluxo de petróleo e derivados, impactando a oferta e os preços. O Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo no mundo, enfrenta restrições, reduzindo drasticamente o número de navios em circulação.

Como alternativa, especialistas apontam o avanço dos biocombustíveis. Atualmente, o diesel vendido no Brasil já contém uma mistura de biodiesel, e há previsão de aumento dessa proporção nos próximos anos. A estratégia pode ajudar a reduzir a dependência externa, embora ainda existam desafios técnicos e logísticos.

Diante desse cenário, o país enfrenta o desafio de equilibrar demanda crescente, limitações estruturais e pressões internacionais, em um momento decisivo para a segurança energética e econômica.

Foto: Reprodução/Internet
Redação – Thiago Salles

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