O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o governo não adotará qualquer postura política nas investigações envolvendo o Banco Master e reforçou que a apuração será conduzida de forma técnica pelo Banco Central do Brasil. A fala ocorreu após questionamentos sobre uma reunião realizada com o empresário Daniel Vorcaro, ligado à instituição financeira.
Segundo o presidente, o compromisso da administração federal é aprofundar as investigações para evitar que um episódio dessa magnitude volte a ocorrer. Lula foi enfático ao afirmar que todos os envolvidos deverão “pagar o preço” caso irregularidades sejam confirmadas, classificando o rombo como potencialmente um dos maiores já registrados no país.
A crise do banco culminou na liquidação extrajudicial da instituição após o Banco Central rejeitar uma tentativa de aquisição. Vorcaro chegou a ser preso preventivamente em operação da Polícia Federal que apura crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e, atualmente, cumpre medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
O presidente relatou ainda que reuniu integrantes-chave da área econômica e jurídica para discutir o caso, entre eles o ministro da Fazenda, Fernando Haddad; o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo; e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O objetivo teria sido alinhar estratégias e garantir rigor institucional nas apurações.
Durante a entrevista, Lula também elogiou a atuação de Galípolo à frente da autoridade monetária, apesar de manter críticas ao atual nível da taxa básica de juros. Hoje em 15% ao ano, a Taxa Selic segue no centro do debate econômico, embora o mercado já projete um possível corte nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária.
Ao demonstrar confiança na condução da política monetária, o presidente indicou apostar na relação institucional para equilibrar o combate à inflação com a necessidade de estimular a atividade econômica — um dos principais desafios do governo no atual cenário.
Foto: Adriano Machado/Reuters
Redação Brasil News