A bolsa brasileira teve um dia de forte turbulência após renovar recordes recentes. O Ibovespa encerrou o pregão com recuo de 2,14%, aos 181.708 pontos, chegando a flertar com a perda do patamar dos 180 mil na mínima do dia. Apesar da retração, o volume financeiro foi robusto, girando perto de R$ 37 bilhões — sinal de intensa movimentação entre investidores.
A queda ocorreu logo depois de o índice atingir marcas históricas acima dos 187 mil pontos, desempenho que havia consolidado um avanço superior a 15% no acumulado de 2026 até então. Analistas avaliam que o movimento reflete uma realização de lucros natural após um rali expressivo, somada à sensibilidade do mercado brasileiro ao humor externo.
Entre as maiores pressões estiveram os grandes bancos. Papéis do Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil e Santander Brasil registraram perdas relevantes, com investidores adotando postura mais cautelosa antes de balanços e diante de sinais de aumento na inadimplência.
No setor corporativo, o destaque negativo foi a Totvs, que desabou mais de 12% acompanhando a fraqueza global das empresas de software. Já a Raízen também figurou entre as maiores baixas, impactada por notícias envolvendo possível reestruturação de dívidas. A Hypera caiu após anunciar um aumento de capital bilionário, enquanto a WEG recuou mesmo com planos de expansão industrial.
As gigantes de commodities tiveram desempenho misto. A Petrobras operou perto da estabilidade apesar da alta do petróleo no exterior, enquanto a Vale conseguiu leve valorização, sustentada pela oscilação moderada do minério de ferro no mercado asiático. Entre as poucas altas do dia, a Braskem mostrou recuperação após uma sequência recente de perdas.
No exterior, o clima também foi de cautela. A bolsa americana S&P 500 fechou em baixa, pressionada principalmente por empresas de tecnologia diante de temores sobre os impactos competitivos da inteligência artificial. Especialistas acreditam que, embora uma acomodação seja possível no curto prazo, o fluxo estrangeiro ainda tende a favorecer mercados emergentes — especialmente o Brasil.
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Redação Brasil News