Brasileiros que planejavam reduzir a conta de luz com a instalação de painéis solares podem enfrentar um cenário bem diferente nos próximos anos. A partir de 2026, a energia solar residencial tende a ficar mais cara com a retomada progressiva do Imposto de Importação sobre módulos fotovoltaicos, decisão que encerra um longo ciclo de incentivos iniciado ainda na década passada.
Após anos de alíquotas reduzidas — que chegaram a 0% em determinados períodos — o governo passou a reintroduzir o imposto de forma escalonada desde 2024. O cronograma prevê percentuais cada vez maiores, que podem alcançar até 25% sobre equipamentos importados que excedam as cotas estabelecidas entre 2025 e 2026.
O impacto é significativo porque o Brasil depende quase totalmente do mercado externo para suprir a demanda por painéis solares. Com a alta tributária, o custo dos sistemas residenciais e comerciais tende a subir, reduzindo a atratividade da geração própria de energia, especialmente para famílias de classe média que vinham aderindo em massa à tecnologia.
Entidades do setor alertam para riscos concretos. A Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica afirma que a mudança pode provocar o adiamento ou cancelamento de dezenas de projetos, colocando em xeque bilhões de reais em investimentos e milhares de empregos ligados à cadeia da energia limpa.
Já representantes da indústria nacional defendem a decisão. Para a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica, o imposto é uma ferramenta para equilibrar a concorrência com produtos estrangeiros, muitas vezes subsidiados, e estimular a produção local de equipamentos, fortalecendo o setor industrial brasileiro.
Enquanto o governo sustenta que a política busca corrigir distorções e incentivar a nacionalização da cadeia produtiva, consumidores temem perder o acesso a uma das principais alternativas para driblar tarifas elevadas de energia elétrica. O resultado desse embate deve definir se a energia solar continuará acessível ou se voltará a ser um investimento restrito a poucos.
Foto: Jornalista Pedro Silvini
Redação Brasil News