O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a manifestar publicamente seu descontentamento com a indefinição da União Europeia em relação ao acordo de livre comércio com o Mercosul, negociado há mais de duas décadas. Em reunião ministerial realizada nesta quarta-feira (17), em Brasília, Lula afirmou que o Brasil e os demais países do bloco sul-americano já avançaram ao máximo nas concessões diplomáticas possíveis.
A expectativa do governo brasileiro era concluir a assinatura do tratado durante a próxima cúpula do Mercosul, marcada para este sábado (20), em Foz do Iguaçu (PR). No entanto, resistências internas na União Europeia seguem impedindo o consenso necessário, especialmente por parte de países como França e Itália.
Segundo Lula, a data da cúpula chegou a ser alterada a pedido dos europeus, sob a justificativa de que o acordo estaria pronto para aprovação dias antes do encontro. Ainda assim, o presidente relatou ter sido informado de que o aval final pode não acontecer a tempo. Para ele, a situação demonstra falta de decisão política por parte do bloco europeu.
O chefe do Executivo brasileiro ressaltou que, caso a União Europeia volte a recuar, o Mercosul deverá adotar uma postura mais rígida nas negociações futuras. Lula também afirmou que o acordo tende a ser mais vantajoso para os europeus do que para os países sul-americanos, o que reforça a cobrança por uma resposta clara.
Apesar das dificuldades, avanços recentes mantêm o tratado no radar. O Parlamento Europeu aprovou mecanismos de salvaguarda para importações agrícolas, etapa considerada importante no processo. O texto, porém, passou por alterações que exigem novas negociações entre o Parlamento e o Conselho Europeu, órgão que reúne os governos dos países-membros.
Para que o acordo avance, é necessária maioria qualificada no Conselho, o que envolve tanto o número de países favoráveis quanto a representatividade populacional. A França lidera o grupo contrário, pressionada por agricultores que temem concorrência de produtos do Mercosul. Outros países, como Itália, Polônia e Hungria, também demonstram reservas.
Caso haja aprovação, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá participar da cúpula no Paraná para formalizar o pacto, que criaria a maior zona de livre comércio do mundo, reunindo 27 países europeus e cinco sul-americanos.
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Redação Brasil News