Vítima de furto em Niterói diz temer perseguição e aponta empresário como autor de constantes abordagens.

Brasil

Novos depoimentos colhidos pela Polícia Civil trouxeram detalhes sobre o furto que ficou conhecido como “cinematográfico” em Niterói. A vítima do crime, um empresário, afirmou que vem sendo seguida e procurada repetidamente por Alexandre Ceotto, apontado como articulador da invasão ao apartamento ocorrida em fevereiro deste ano. Segundo o relato, Ceotto chegou a comparecer de surpresa ao local onde o empresário trabalha, reforçando o clima de medo e insegurança que tomou conta da família.

Câmeras registram o momento em que Ceotto procura a vítima em seu local de trabalho, meses após o furto — Foto: Reprodução

O caso ganhou repercussão após o advogado criminalista Luís Maurício Martins Gualda confessar ter sido o executor da invasão. Ele disse ter decidido participar do crime em meio a uma crise financeira agravada por perdas em investimentos de criptomoedas. Em seu depoimento, Gualda contou que Ceotto o convenceu ao afirmar que havia US$ 1 milhão escondidos no imóvel e que a quantia seria dividida após o furto.

A investigação indica que a dupla planejou a ação por aproximadamente três meses. Em janeiro, ambos teriam ido ao Hotel Orizzonte, no Gragoatá, para analisar rotas, câmeras de vigilância e acessos ao prédio. Como ex-morador do apart-hotel, Ceotto conhecia a estrutura interna do local.

A invasão aconteceu na noite de 7 de fevereiro de 2025, quando Gualda entrou no apartamento usando uma máscara de silicone realista e luvas para evitar rastros. Segundo ele, apesar de vasculhar diversos cômodos por cerca de 15 minutos, não encontrou os dólares que esperava. A vítima, no entanto, relatou que foram levados relógios de luxo avaliados em R$ 88.400 — algo que o advogado nega.

Poucos dias depois, Gualda decidiu confessar o crime. Alegou arrependimento e afirmou à polícia que temia ser retaliado por Ceotto, citando preocupação com a segurança da esposa e das filhas. Nos autos, ele diz ter sido pressionado a manter silêncio depois da ação.

O empresário vítima do furto também relatou sentir-se ameaçado. Em declaração prestada em maio, informou que Ceotto o procurou diversas vezes, inclusive aparecendo no seu local de trabalho sem aviso prévio. Imagens de segurança anexadas ao processo mostram o acusado circulando pelo prédio às 13h33 do dia 6 de maio. O empresário afirmou ainda que o réu possui temperamento agressivo, pratica artes marciais e porta arma de fogo — fatores que aumentam seu medo.

A Polícia Civil já ouviu 26 testemunhas, e a primeira audiência de julgamento está marcada para dezembro. Ceotto, considerado mentor intelectual do crime, está preso desde que se entregou às autoridades após cinco meses foragido.


Foto: Reprodução

Redação Brasil News

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