Em um movimento que promete repercussão para o setor do açúcar e do etanol, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a pauta comercial com os Estados Unidos é ampla e “qualquer assunto” pode entrar em discussão, incluindo etanol, açúcar e terras raras.
Segundo a declaração presidencial, o Brasil está aberto ao diálogo para tratar de imposições tarifárias, cotas ou outras barreiras que afetam as exportações e importações entre os dois países.
Atualmente, o comércio bilateral no setor sucroenergético está marcado por um regime de tarifas e cotas: o etanol brasileiro enfrenta tarifa de 2,5% para entrar nos Estados Unidos, enquanto o etanol norte-americano paga cerca de 18% para ingressar no Brasil — desde que a cota de importação isenta tenha sido encerrada em 2023.
Especialistas no setor alertam que a abertura dessa negociação pode gerar impactos significativos na competitividade da agroindústria brasileira, especialmente para regiões como o Nordeste, que dependem fortemente da cadeia do etanol.
O governo também afirmou que a potencial negociação com os EUA não compromete as relações com outros parceiros comerciais, como a China, mantendo a autonomia da política externa brasileira.
A próxima etapa prevista inclui a formação de equipes de negociação entre Brasília e Washington, com cronograma para tratar das pautas tarifárias e setoriais nas próximas semanas.
Para o setor de etanol e açúcar no Brasil, resta agora acompanhar o desenrolar desse processo e os possíveis efeitos sobre preços, quotas de importação e a estrutura de exportação brasileira.
O comércio de etanol e açúcar entre Brasil e EUA é regido por um sistema de tarifas e cotas. Foto: Adobe Stock