Pesquisa compara efeitos colaterais de antidepressivos e revela grandes diferenças entre os medicamentos.

Saúde e Bem Estar

Um levantamento conduzido por pesquisadores do King’s College London e da Universidade de Oxford revelou que diferentes tipos de antidepressivos podem causar efeitos físicos bastante distintos nas primeiras semanas de uso. O estudo, publicado na revista científica The Lancet, avaliou 151 pesquisas com mais de 58 mil pacientes e destacou diferenças relevantes em parâmetros como peso, frequência cardíaca e pressão arterial.

Segundo os cientistas, alguns medicamentos provocaram ganho de até 2 quilos, enquanto outros, como a agomelatina, chegaram a causar redução de peso corporal. Também foram observadas variações de até 21 batimentos por minuto na frequência cardíaca e 11 mmHg na pressão arterial entre determinadas drogas.

Os especialistas alertam que esses efeitos, embora considerados leves no início, podem se acumular e ter impactos clínicos significativos, como o aumento do risco cardiovascular em tratamentos prolongados.

Para os pesquisadores, a principal mensagem é que “nenhum antidepressivo é igual ao outro”, e que a escolha do medicamento deve ser personalizada, levando em conta condições de saúde, metabolismo e preferências individuais.

O professor Oliver Howes, um dos autores do estudo, afirmou que as conclusões reforçam a importância de ajustes individualizados de dose e acompanhamento médico contínuo, evitando interrupções por conta própria.

A equipe também desenvolve uma ferramenta digital para auxiliar médicos e pacientes a identificar a opção mais adequada de antidepressivo, com base em dados clínicos e no perfil de cada pessoa.

Apesar das diferenças observadas, os especialistas ressaltam que os antidepressivos continuam sendo fundamentais no tratamento da depressão e da ansiedade, e que o risco de parar sem orientação médica é muito maior do que os possíveis efeitos colaterais.

“O objetivo não é assustar, e sim empoderar os pacientes, mostrando que o tratamento pode ser ajustado para cada um”, reforçou o pesquisador Toby Pillinger, também de Oxford

Foto: GETTY IMAGES via BBC

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