Casos de sífilis batem recorde no Brasil e acendem alerta para prevenção e desinformação.

Saúde e Bem Estar

O mais recente boletim do Ministério da Saúde revelou um dado preocupante: o Brasil registrou o maior número de casos de sífilis já contabilizado, com 120 diagnósticos para cada 100 mil habitantes. A doença, que é uma infecção sexualmente transmissível (IST) curável, continua em expansão, impulsionada por falta de informação, prevenção inadequada e atraso no diagnóstico.

Entre 2010 e junho de 2024, foram contabilizados mais de 1,5 milhão de casos de sífilis adquirida no país. O estado do Espírito Santo lidera o ranking, com 212 casos por 100 mil habitantes. Embora o número de infecções em gestantes e de sífilis congênita (transmitida da mãe para o bebê) tenha caído levemente, os índices ainda preocupam as autoridades de saúde.

De acordo com Pâmela Cristina Gaspar, coordenadora de Vigilância de ISTs do Ministério da Saúde, o foco agora é ampliar o acesso aos testes rápidos e garantir tratamento adequado durante o pré-natal, evitando a transmissão vertical. “Estamos avançando, mas é fundamental que o diagnóstico seja precoce. Informação salva vidas”, destacou.

A sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum e pode ser transmitida por relações sexuais desprotegidas ou da mãe para o bebê durante a gestação. Em estágios avançados, pode provocar lesões neurológicas, cegueira e problemas cardíacos.

O diagnóstico é simples e gratuito pelo SUS, e o tratamento, feito com penicilina benzatina, garante a cura. No entanto, especialistas reforçam que a reinfecção é possível, e por isso a prevenção contínua com uso de preservativos e testagem regular são essenciais.

Para o infectologista Alberto Chebabo, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), “a desinformação ainda é o maior inimigo. Muitos acreditam que a sífilis é coisa do passado, mas ela segue crescendo justamente porque ainda é pouco falada”.

O Ministério da Saúde defende campanhas permanentes de conscientização e o fortalecimento dos serviços de atenção primária para conter o avanço da doença.

Foto: Getty Images

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