Teve início nesta quarta-feira (28), no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo, o julgamento pelo Tribunal do Júri do empresário Fernando Sastre de Andrade Filho, acusado de provocar a colisão com um Porsche azul que resultou na morte do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, em março de 2024. Pouco antes do início da sessão, o estudante de medicina Marcus Vinicius Machado Rocha, que estava no banco de passageiro do veículo e sofreu lesões gravíssimas no acidente, afirmou que o réu havia ingerido bebida alcoólica e estava perceptivelmente alterado na ocasião.
“Ele estava alterado por conta da bebida, sim”, declarou Marcus à imprensa ao chegar ao tribunal. O estudante, que teve quatro costelas fraturadas e precisou passar por cirurgia para remoção do baço, relatou que não mantém mais contato com o empresário e que prestará seu depoimento na condição de testemunha da acusação e vítima no processo. Ele relembrou que Fernando saiu devagar da vaga de estacionamento e acelerou brancamente antes do impacto na Avenida Salim Farah Maluf, no Tatuapé, trecho em que a velocidade máxima permitida é de 50 km/h.
O Ministério Público de São Paulo acusa o réu de homicídio qualificado por perigo comum, sob a modalidade de dolo eventual — quando se assume o risco de matar —, além de lesão corporal gravíssima. A acusação pedirá uma pena superior a 20 anos de reclusão, sustentando que Fernando dirigia em velocidade incompatível com a via e sob efeito de álcool. Laudos periciais do Instituto de Criminalística indicaram que o carro de luxo transitava a cerca de 136 km/h no momento do impacto contra a traseira do Renault Sandero conduzido por Ornaldo, de 52 anos.
A defesa técnica de Fernando Sastre, representada pelo advogado Jonas Marzagão, argumentará pela desclassificação do crime para homicídio culposo, quando não há intenção de matar. A banca alega que o empresário responde ao processo preso preventivamente desde maio de 2024 sem precedentes similares na capital paulista e nega que tenha havido fuga deliberada do local. O julgamento é presidido pela juíza Melanie Liesenberg, com previsão de duração de dois dias e oitiva de 14 testemunhas antes do interrogatório final do réu.
Foto: Reprodução / Redes Sociais
Redação – Thiago Salles