Contra-ataque às chinesas! Stellantis admite parceria com até 10 marcas da China e ameaça fechar fábricas na Argentina.

Economia Negócios

A Stellantis — dona de marcas consolidadas como Fiat, Jeep, Peugeot, Citroën e Ram — é responsável por quase um quarto de todas as vendas de veículos no continente. Para contter a invasão chinesa, o grupo já havia incorporado a marca Leapmotor ao seu portfólio global, mas Zola garantiu que o movimento é apenas o começo. Durante encontro com jornalistas, o presidente revelou conversas avançadas para expandir na América do Sul a parceria com a gigante chinesa Dongfeng (DFM) e foi enfático: “Eu posso me associar a mais uma, duas ou a mais dez marcas chinesas, dependendo do que for necessário para garantir nossa competitividade.”

A rápida ascensão dos veículos asiáticos forçou a Stellantis a readequar seu planejamento estratégico no Brasil, onde prevê investir R$ 30 bilhões até 2030. Zola fez um alerta rigoroso sobre os incentivos à importação de veículos desmontados (CKD) ou semidesmontados (SKD) vindo da China. Segundo ele, a adoção desse modelo desmonta a cadeia produtiva local, pois a montagem final exige apenas 10% da mão de obra empregada em uma fábrica tradicional — o que ameaçaria diretamente os 35 mil empregos diretos mantidos pelo grupo na região.

Enquanto desenha novas alianças para blindar o mercado brasileiro, a Stellantis enfrenta um drama operacional na Argentina. O executivo revelou que as duas plantas fabris da empresa no país vizinho (localizadas em El Palomar e Córdoba) têm sua viabilidade ameaçada pela retração das vendas e pela abertura comercial promovida pelo governo de Javier Milei.

Com a participação de mercado da Peugeot despencando de 9% para 5% na Argentina, Zola admitiu que o grupo estuda reestruturações drásticas nas unidades. “Podemos tomar a decisão de fechar uma fábrica e manter outra, de manter as duas ou, até mesmo, de fechar as duas, dependendo de como as regras do governo se definirem”, concluiu o presidente, escancarando a gravidade da crise na indústria automobilística sul-americana.

Foto: Tiago Queiroz / Estadão | Redação – Thiago Salles

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