Guerra contra o Irã já custa US$ 43,6 bilhões aos EUA e aumenta pressão sobre Trump.

Internacional

A guerra envolvendo Estados Unidos e Irã está produzindo uma conta cada vez maior para Washington.

Uma estimativa atualizada do Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) aponta que as operações militares americanas ligadas ao conflito já consumiram aproximadamente US$ 43,6 bilhões até 3 de setembro de 2026.

O valor representa um aumento de aproximadamente US$ 5,6 bilhões em apenas um mês, mostrando como a manutenção da campanha militar continua exigindo recursos mesmo mais de seis meses após o início dos ataques.

O confronto começou em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã. Desde então, Teerã respondeu com mísseis e drones contra alvos americanos e aliados dos EUA na região.

Armamentos respondem por grande parte da conta

Uma das parcelas que mais cresceram envolve munições e sistemas utilizados nas operações.

Segundo a estimativa divulgada, os gastos com armamentos passaram de cerca de US$ 21,7 bilhões para US$ 28,1 bilhões, refletindo o alto consumo de mísseis, interceptadores e outras munições utilizadas tanto em ataques quanto na defesa de bases e aliados.

O impacto vai além do dinheiro já gasto.

O uso intenso de sistemas como Patriot e THAAD aumentou a preocupação com os estoques americanos de interceptadores, enquanto aliados dos Estados Unidos também buscam reforçar suas próprias defesas contra ataques de drones e mísseis iranianos.

Guerra já dura muito mais do que os primeiros prognósticos

Nas primeiras semanas da campanha, Trump indicou repetidamente que os principais objetivos militares americanos poderiam ser atingidos rapidamente.

No início de abril, após cerca de um mês de operações, o presidente afirmou que os Estados Unidos estavam próximos de concluir seus objetivos centrais e falou em mais algumas semanas de ataques intensos.

Meses depois, porém, o conflito permanece ativo.

Em setembro, Trump afirmou que a guerra poderia terminar depois das eleições legislativas de 3 de novembro, ao mesmo tempo em que reconheceu que negociações diplomáticas continuavam sendo uma possibilidade.

Mortos e feridos entre militares americanos

O custo também é humano.

Até o início de setembro, 18 militares americanos haviam morrido e mais de 830 haviam sido feridos no conflito, segundo dados citados pela Associated Press.

Bases dos Estados Unidos no Oriente Médio foram atingidas em diferentes momentos por ataques iranianos com mísseis e drones.

Trump tem procurado minimizar a dimensão do confronto. Em setembro, classificou a situação como relativamente pequena em comparação com guerras anteriores e destacou que Washington não havia enviado grandes contingentes terrestres para lutar dentro do Irã.

Conta pode continuar subindo bilhões por mês

O custo atual de US$ 43,6 bilhões não representa necessariamente a despesa final.

Estimativas mencionadas pela Associated Press indicam que, mantido o nível das operações, o conflito pode continuar consumindo cerca de US$ 3 bilhões por mês, embora o valor varie conforme a intensidade dos ataques.

A administração Trump também solicitou ao Congresso um pacote de aproximadamente US$ 95 bilhões destinado à guerra e a outras prioridades de defesa.

Paralelamente, o governo propôs um orçamento militar de cerca de US$ 1,5 trilhão para 2027, em meio ao aumento das necessidades militares em diferentes regiões do mundo.

Petróleo amplia impacto para o bolso dos americanos

O custo da guerra não está restrito ao orçamento militar.

A instabilidade provocada pelo conflito atingiu o mercado energético, particularmente depois das dificuldades de circulação pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais para o transporte de petróleo.

Os impactos se espalharam pelos preços de combustíveis e transporte.

O diesel nos Estados Unidos chegou a superar US$ 6 por galão em meio à redução da capacidade global de refino e às interrupções provocadas pelos conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia.

Como o diesel é amplamente utilizado em caminhões, agricultura, construção e logística, aumentos prolongados tendem a pressionar também os preços de outros produtos.

Guerra pesa politicamente sobre Trump

O conflito se tornou ainda um dos temas de maior desgaste para Trump antes das eleições legislativas americanas.

A Reuters informou em setembro que a aprovação do presidente havia atingido uma mínima em meio à insatisfação dos eleitores com a guerra no Irã e com o aumento do custo de vida.

Dentro do próprio Partido Republicano também existem críticas.

O deputado republicano Thomas Massie, por exemplo, apresentou um pedido de impeachment contra o secretário de Defesa, Pete Hegseth, argumentando que as ações militares contra o Irã deveriam ter recebido autorização do Congresso. A iniciativa tem poucas perspectivas de aprovação, mas evidencia divergências dentro do partido sobre a condução do conflito.

A Casa Branca sustenta que as operações enfraqueceram significativamente a capacidade militar e nuclear iraniana e defende que a estratégia protege interesses de segurança dos Estados Unidos e de seus aliados.

Críticos, por outro lado, questionam a duração da campanha, seus custos e a ausência de uma solução diplomática definitiva.

Com US$ 43,6 bilhões já contabilizados, centenas de militares feridos e uma guerra ainda sem encerramento anunciado, o conflito iniciado em fevereiro tornou-se um dos principais desafios externos, econômicos e políticos do governo Trump em 2026.

Foto: Reuters/Reprodução –
Redação – Thiago Salles

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *