Defesa de Daniel Vorcaro pede ao STF revogação da prisão e cita impasse aberto após pedido de vista de Dino.

Brasil

A defesa de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, apresentou ao Supremo Tribunal Federal um novo pedido para que sua prisão preventiva seja revogada. Os advogados também oferecem como alternativa a adoção de medidas cautelares, como tornozeleira eletrônica e proibição de deixar o país sem autorização judicial.

O pedido foi encaminhado diretamente ao presidente do STF, Edson Fachin, em meio a uma disputa sobre a condução dos procedimentos ligados à Operação Compliance Zero.

Segundo os defensores, a situação passou a exigir uma resposta da Presidência da Corte depois que o ministro Flávio Dino pediu vista, na sessão de 15 de setembro, de uma questão de ordem que discutia justamente a relatoria e a competência sobre procedimentos relacionados ao caso. O julgamento, portanto, permanece sem conclusão.

Na avaliação da defesa, enquanto o próprio Supremo ainda discute quem deve conduzir determinados processos, Vorcaro não poderia permanecer preso indefinidamente aguardando a definição institucional.

Defesa também cobra revisão da prisão

Outro argumento apresentado pelos advogados envolve o artigo 316 do Código de Processo Penal, que prevê reavaliação periódica da necessidade da prisão preventiva.

A defesa sustenta que chegou o momento de verificar novamente se ainda existem fundamentos concretos e atuais que justifiquem a manutenção de Vorcaro no cárcere. Os advogados argumentam que a prisão cautelar não deve funcionar como antecipação de pena e que medidas menos severas seriam suficientes.

Vorcaro foi preso novamente em março de 2026, durante uma nova fase da Operação Compliance Zero. Segundo as investigações, mensagens encontradas pela PF indicariam articulações contra pessoas consideradas adversárias do ex-banqueiro. A defesa contesta as acusações e sustenta que as informações precisam ser analisadas dentro de seu contexto completo.

Celular de Vorcaro virou centro de disputa no STF

Paralelamente ao pedido de liberdade, os dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro se transformaram em um dos principais pontos de tensão no Supremo.

Ministros passaram a solicitar à Polícia Federal o acesso à íntegra do conteúdo, argumentando que relatórios com trechos selecionados poderiam não apresentar o contexto completo das conversas.

A Polícia Federal confirmou que possui os dados extraídos e enviou cópias aos ministros que fizeram pedidos formais. Entre os que já receberam ou solicitaram acesso ao material estão Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, André Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques.

O conteúdo do aparelho provocou atritos internos na Corte porque algumas mensagens fazem referência a ministros e familiares de integrantes do próprio STF. As pessoas citadas têm apresentado versões e negativas específicas sobre os episódios relatados, enquanto a análise dos dados continua em andamento.

Fachin terá de decidir sobre liberdade

Agora, caberá a Edson Fachin analisar se há fundamento para manter a prisão preventiva ou se as medidas sugeridas pela defesa podem substituir o encarceramento.

Os advogados afirmam que, caso Fachin rejeite o pedido, pretendem levar a discussão ao plenário do STF. O defensor Sérgio Leonardo declarou que considera esgotadas as razões que justificariam a manutenção da prisão e criticou o que classifica como julgamento antecipado de Vorcaro pela opinião pública. Essa é a posição da defesa; não representa uma conclusão do STF sobre o mérito do caso.

Até o momento, portanto, não houve decisão sobre o novo pedido de liberdade. Vorcaro permanece preso enquanto o Supremo analisa tanto sua situação cautelar quanto os impasses de competência envolvendo as investigações do Banco Master.

Foto: Reprodução/Redes sociais –
Redação – Thiago Salles

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