Selic cai para 13,75% e muda o jogo dos investimentos: veja onde R$ 1 mil pode render mais

Economia

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu nesta quarta-feira (16) reduzir novamente a taxa básica de juros do país. O corte foi de 0,25 ponto percentual, fazendo a Selic passar de 14% para 13,75% ao ano. Foi a quinta redução consecutiva promovida pelo Banco Central.

A mudança imediatamente levanta uma dúvida para quem mantém dinheiro guardado ou pretende começar a investir: com os juros menores, onde R$ 1 mil podem render mais?

Uma simulação elaborada por Michael Viriato, da Casa do Investidor, a pedido da CNN Money, comparou diferentes alternativas de aplicação considerando o novo patamar dos juros. Os resultados mostram que, mesmo após a redução da Selic, produtos de renda fixa continuam apresentando retornos relevantes.

Entre os produtos avaliados, os CDBs de bancos médios pagando cerca de 105% do CDI aparecem com destaque dentro da renda fixa. Na simulação, um investimento inicial de R$ 1 mil chegaria a aproximadamente R$ 1.054,08 depois de seis meses. Mantido por 30 meses, o montante alcançaria cerca de R$ 1.332,95.

A diferença fica ainda mais evidente quando esses números são colocados ao lado da tradicional caderneta de poupança. No mesmo levantamento, os R$ 1 mil aplicados na poupança alcançariam aproximadamente R$ 1.038,12 em seis meses e R$ 1.205,72 depois de 30 meses.

A poupança tem como vantagem a isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas, mas o resultado da simulação mostra que essa característica, isoladamente, não garante o maior retorno no cenário atual.

Os cálculos apresentados para as demais aplicações consideram os valores líquidos, já descontado o Imposto de Renda sobre os rendimentos. No caso do Tesouro Selic e de fundos, custos e taxas também podem variar conforme a instituição utilizada pelo investidor.

Fora da renda fixa, a simulação também analisou fundos de ações ligados ao Ibovespa. Nesse caso, R$ 1 mil poderiam alcançar cerca de R$ 1.064,44 após seis meses e R$ 1.366,47 em 30 meses. O resultado projetado é maior, mas a comparação exige cautela: investimentos em ações estão sujeitos às oscilações do mercado e não oferecem a mesma previsibilidade de produtos de renda fixa.

A redução para 13,75% acontece depois de um período prolongado de juros elevados. A Selic permaneceu em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026, quando o Banco Central iniciou o atual ciclo de cortes.

A desaceleração recente da inflação ajudou a formar o cenário para a nova decisão. O IPCA registrou queda de 0,32% em agosto, enquanto a inflação acumulada em 12 meses ficou em 4,22%. Apesar disso, o próprio Copom indicou que o ambiente econômico ainda exige cautela diante das incertezas internas e externas.

Mesmo com cinco cortes consecutivos, uma Selic de 13,75% continua mantendo os juros brasileiros em nível elevado. Para quem investe, isso significa que aplicações ligadas ao CDI e à própria Selic ainda podem oferecer rendimentos expressivos, enquanto novas reduções futuras podem alterar gradualmente essa relação.

Os números apresentados são simulações e não representam garantia de rentabilidade futura. Retorno, tributação, liquidez, custos e riscos variam de acordo com cada produto e com o período de permanência do dinheiro aplicado.

Foto: Freepik
Redação – Thiago Salles

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