Crise institucional no STF: Agente da PF acusa André Mendonça de “agir como gangster” e tentar blindar aliados.

Política

Uma grave crise de proporções institucionais sacode os bastidores do Poder Judiciário e da Polícia Federal em Brasília. Relatos vindos do interior da própria corporação apontam que a atuação do ministro André Mendonça no âmbito dos inquéritos vinculados ao caso do Banco Master e às declarações do empresário Daniel Vorcaro ultrapassou limites aceitáveis e gerou um levante da Coordenação-Geral de Contrainteligência (CGCINT) da PF.

De acordo com o depoimento de uma fonte estratégica da PF — o mesmo investigador que antecipou a trama golpista do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) antes do 8 de Janeiro —, Mendonça teria utilizado métodos conturbados para tentar arrastar a cúpula da corporação e o ministro Alexandre de Moraes para o centro de suspeitas fabricadas. “Mendonça quis intimidar a PF, e isso nunca vai ser tolerado. Ele tentou agir como gangster, e agora está com um problemão”, revelou o servidor.

Entre os pontos levantados pelos relatórios enviados ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, estão fortes indícios de seletividade processual e “blindagem” a aliados políticos. A PF constatou discrepâncias severas nos prazos do gabinete de Mendonça: enquanto o ministro levou apenas 9 dias para tomar medidas contra adversários políticos, demorou até 75 dias para despachar processos envolvendo aliados da extrema direita. Além disso, a inteligência apontou inação deliberada do ministro perante repasses de dezenas de milhões de reais envolvendo a candidatura do senador Flávio Bolsonaro.

Outro fator de indignação na PF foi a presença do delegado Thiago Marcantonio Ferreira no gabinete do STF, ex-integrante do Ministério da Justiça na gestão bolsonarista. Diante dos ataques diretos ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e das convocações feitas pelo magistrado em tom político nas redes sociais, a corporação formalizou relatórios analíticos pedindo ao presidente do STF a abertura oficial de inquérito e a retirada da relatoria do caso Master das mãos de André Mendonça.

Foto: Reprodução / Imprensa

Redação – Thiago Salles

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