O cerco investigativo sobre o financiamento e a produção da cinebiografia “Dark Horse”, obra audiovisual inspirada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, ganhou novos desdobramentos no Supremo Tribunal Federal. O ministro Flávio Dino atendeu a uma solicitação da Polícia Federal e liberou o compartilhamento integral do acervo probatório colhido em junho deste ano pela Polícia Civil de São Paulo, no âmbito de apurações sobre suspeitas de fraudes financeiras e desvios de recursos no setor cultural.
A decisão de Flávio Dino mira diretamente a empresária Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora Go Up Entertainment, responsável pela idealização do filme. As investigações da Polícia Civil paulista e os desdobramentos no âmbito federal apuram o uso indevido de verbas e possíveis irregularidades na captação de recursos privados e públicos, além de movimentações bancárias atípicas ligadas à estrutura da produtora.
O avanço da Polícia Federal no caso ocorre de forma paralela a outras frentes abertas na Suprema Corte. Em julho, o ministro André Mendonça já havia autorizado a corporação a abrir uma linha de investigação específica para mapear as fontes de financiamento do filme. Simultaneamente, Flávio Dino também autorizou o acompanhamento sobre o suposto repasse de emendas parlamentares a empresas e prestadores de serviço terceirizados conectados à produção da cinebiografia.
O caso provocou repercussão no cenário político. Em declarações recentes à imprensa, o senador Flávio Bolsonaro chegou a considerar as acusações e questionamentos sobre a prestação de contas do filme como “página virada”, alegando que as explicações necessárias já constam nos autos e acusando adversários políticos de usarem o tema como narrativa eleitoral. No entanto, o avanço das autorizações judiciais garante que a PF aprofunde a devassa sobre os fluxos financeiros da produção.
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