Haddad critica tarifa dos EUA e diz que Brasil não usará economia como arma política

Economia

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, criticou abertamente as novas tarifas comerciais aplicadas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, classificando a medida como uma “ação política travestida de decisão econômica”. Em sua participação na J.Safra Investment Conference, realizada em São Paulo, Haddad destacou que o Brasil está aberto ao diálogo, mas não aceitará que sua economia seja usada em jogos ideológicos.

— Não se pode transformar o câmbio, a tarifa ou qualquer outro instrumento financeiro em arma ideológica. Imaginem se o Brasil usasse seu poder econômico para favorecer um grupo político em outro país? — declarou o ministro.

Haddad assegurou que a decisão americana não terá grande impacto nas exportações brasileiras, já que a produção nacional possui alta demanda em outros mercados. “Temos compradores para petróleo, grãos, carnes e pescados. O Brasil não depende exclusivamente dos EUA”, pontuou.

O ministro também ressaltou que houve avanços nas negociações com autoridades americanas, como a exclusão da celulose da lista de produtos taxados, o que demonstra que é possível separar divergências políticas de acordos comerciais.

Em relação à recente valorização do real frente ao dólar, Haddad afirmou que o Brasil está conseguindo controlar as expectativas inflacionárias, o que pode abrir caminho para a redução de juros. Ele também destacou o crescimento do setor de infraestrutura e o compromisso do governo com as metas fiscais para 2025 e 2026.

Por fim, Haddad afirmou que o Executivo tem dialogado com o Congresso para garantir o equilíbrio fiscal e que medidas voltadas à economia digital devem ser apresentadas ainda esta semana, com foco em atrair grandes centros de dados ao país.

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