O cenário político nacional ganhou contornos de forte fricção com o lançamento oficial da campanha de Renan Santos (Missão) à Presidência da República. Em evento realizado no centro de convenções Komplexo Tempo, no bairro da Mooca, zona leste de São Paulo, o presidenciável discursou para apoiadores disparando pesados ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL). Apesar do tom agressivo, o líder da legenda rejeitou ser enquadrado como “antipetista” ou representante de uma “terceira via” tradicional.
No campo da segurança pública, o discurso extrapolou as balizas jurídicas vigentes ao prometer “matar quem roubar”. A proposta fere a Constituição Federal de 1988, que proíbe expressamente a pena de morte para crimes comuns no país, sendo este um cláusula pétrea que não pode ser alterada nem mesmo por meio de Proposta de Emenda à Constituição (PEC).
Ofensas diretas e ataques a ex-aliados
Durante sua fala, Renan direcionou termos chulos aos principais adversários na corrida ao Planalto. Flávio Bolsonaro foi classificado pelo candidato como “farsante, fraco e corrompido”, sendo chamado ao término do discurso por um termo pejorativo. Já em relação a Lula, o presidenciável referiu-se ao chefe do Executivo como “cachaceiro senil”, embora tenha solicitado em seguida “perdão pelos insultos proferidos na campanha”.
As críticas estenderam-se a governadores e ao senador Sérgio Moro (União Brasil), rotulado de “vassalo”. Segundo Renan Santos, o ex-juiz da Lava Jato “aceitou ser um escravo daqueles que destruíram sua maior obra”.
“Temos duas vassouras velhas que não funcionam bem na política brasileira, e o Renan Santos vai ser a vassoura nova que vai limpar o Brasil”, declarou o candidato a vice-presidente, o tenente-coronel da reserva da Brigada Militar do RS, Aroldo Medina, ao abrir os discursos.
Propostas, pesquisas e arrecadação de luxo
Entre as metas apresentadas para um eventual mandato, a chapa do Partido Missão estabeleceu a redução do número de homicídios no Brasil para menos de 10 mil casos anuais, a realização de um severo ajuste fiscal, a proteção estatal sobre a exploração de terras raras e o respaldo legal para que professores possam “punir alunos rebeldes”. Na última pesquisa Atlas/Bloomberg, o candidato registrou 7,8% das intenções de voto, figurando na terceira colocação atrás de Lula (49,2%) e Flávio Bolsonaro (42,9%).
O ato político chamou atenção também pelo modelo financeiro de arrecadação. A entrada no recinto exigiu o pagamento de ingressos que variavam de R$ 94 a R$ 7 mil. A categoria mais alta dava direito a mezanino open bar e almoço exclusivo com a cúpula do partido. No local, foram comercializados suvenires diversos — incluindo bichos de pelúcia da onça, mascote da sigla — e um “kit para patronos” contendo a edição de luxo do Livro Amarelo, obra que consolida o plano de governo da legenda, pelo valor de R$ 7 mil.
Foto: Partido Missão via YouTube / Redação – Thiago Salles