Durante depoimento prestado à Polícia Federal nesta quinta-feira (6), o ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou que enviou R$ 2 milhões ao seu filho, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro, como forma de apoio financeiro após sua mudança para os Estados Unidos.
Segundo Bolsonaro, a transferência — feita por meio de Pix — teve caráter familiar e totalmente legal. O valor, de acordo com ele, seria parte de um montante de R$ 17 milhões recebido em doações eleitorais, que ficaram sob sua gestão após a campanha. “Coloquei R$ 2 milhões na conta dele porque lá fora tudo é mais caro. Ele tem esposa, dois filhos pequenos… só queria ajudar”, declarou Bolsonaro à imprensa após o depoimento.
A oitiva ocorreu na sede da Polícia Federal e durou pouco mais de duas horas. O depoimento faz parte de um inquérito que apura a atuação de Eduardo Bolsonaro no exterior, em especial possíveis vínculos com movimentações consideradas antidemocráticas.
O ex-presidente negou qualquer envolvimento com atos ilegais e reforçou que a ajuda ao filho foi apenas de ordem pessoal e privada. “A acusação é que eu estaria financiando atos antidemocráticos, mas o valor foi transferido de forma lícita, em uma operação bancária comum”, argumentou.
Apesar de ter sido citado no inquérito relacionado à deputada Carla Zambelli, Bolsonaro informou que não prestou declarações sobre o caso e que apenas sua defesa solicitou acesso aos autos.
Ao encerrar sua fala com os jornalistas, Bolsonaro foi enfático: “Não tenho nada a ver com Zambelli, não mandei Pix para ela. Só falei sobre o dinheiro enviado ao meu filho”.