O Brasil registrou um aumento no preço mínimo do cigarro, que passará de R$ 6,50 para R$ 7,50. Ainda assim, o país continua ocupando a terceira posição entre os menores preços da América do Sul — um fator que especialistas apontam como preocupante para o controle do tabagismo.
Após décadas de queda no número de fumantes, o cenário voltou a se inverter. Dados recentes indicam que a taxa de pessoas que fumam subiu para 11,6%, marcando o primeiro crescimento em cerca de 20 anos.
Especialistas explicam que o preço do cigarro é um dos principais fatores para reduzir o consumo. No passado, políticas de aumento contínuo acima da inflação ajudaram a diminuir significativamente o número de fumantes, que caiu de mais de 30% da população nos anos 1990 para cerca de 9% em 2015.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer, o congelamento dos preços por vários anos contribuiu para a reversão dessa tendência. Caso os reajustes tivessem sido mantidos regularmente, o valor mínimo do cigarro atualmente poderia estar próximo de R$ 10.
Além do impacto na saúde, o tabagismo gera um alto custo para o sistema público. O Sistema Único de Saúde gasta cerca de R$ 98 bilhões por ano com doenças relacionadas ao fumo, enquanto a arrecadação com impostos cobre apenas uma pequena parte desse valor.
O cigarro está associado a diversas doenças graves, como câncer, problemas cardiovasculares e enfermidades respiratórias. Estima-se que cerca de 177 mil mortes anuais no país estejam ligadas ao consumo de tabaco.
Outro fator que preocupa especialistas é o avanço do cigarro eletrônico, que mesmo sendo proibido no Brasil, tem atraído principalmente jovens e servido como porta de entrada para o consumo do cigarro tradicional.
Diante desse cenário, especialistas defendem a retomada de políticas mais rígidas, com aumentos constantes no preço e medidas educativas para conter o avanço do tabagismo.
A discussão também envolve propostas futuras, como o chamado “imposto do pecado”, que pode elevar a carga tributária sobre produtos prejudiciais à saúde, incluindo o cigarro.
O alerta é claro: sem ações mais firmes, o país pode perder avanços históricos no combate ao tabagismo.
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Redação – Thiago Salles