Polarização extrema! ‘Trump colombiano’ e herdeiro de Petro vão disputar o 2º turno das eleições na Colômbia.

Internacional

A Colômbia consolidou um cenário de fratura política e polarização ideológica extrema no primeiro turno das eleições presidenciais realizado neste domingo (31 de maio de 2026). Com mais de 97% das urnas apuradas pela autoridade eleitoral, o candidato da direita populista Abelardo de la Espriella e o senador de esquerda Iván Cepeda confirmaram o favoritismo das urnas e avançaram para o segundo turno. De la Espriella, um advogado milionário com pouca trajetória na vida pública tradicional e admirador confesso de figuras como Javier Milei, Donald Trump e Nayib Bukele, contrariou as projeções iniciais e terminou na liderança com 44% dos votos válidos. Ele enfrentará Cepeda, herdeiro político direto do atual presidente Gustavo Petro, que conquistou 41% da preferência do eleitorado.

A arrancada fulminante de De la Espriella na reta final da campanha foi impulsionada pela desidratação da direita conservadora tradicional. O discurso agressivo e focado na segurança pública capturou o eleitorado de Paloma Valencia, afilhada política do ex-presidente Álvaro Uribe, que terminou o pleito com apenas 6% dos votos. Com uma retórica de forte apelo popular e militar, o líder populista promete encerrar imediatamente qualquer mesa de negociação de paz com organizações guerrilheiras e cartéis de drogas, optando pelo sufocamento bélico. “Vou exterminar o narcoterrorismo, que condenei e declarei alvo militar. Vou desencadear a ira de Deus sobre eles como nunca antes vista”, disparou De la Espriella em entrevista à agência Associated Press, adotando uma linha de tolerância zero que ecoa as políticas de segurança de El Salvador.

Do outro lado do espectro político, Iván Cepeda, representando a coalizão de esquerda Pacto Histórico, defende a manutenção e o aprofundamento do projeto de poder de Gustavo Petro. O senador assegurou que dará continuidade à polêmica bandeira da “paz total” — iniciativa de diálogo com grupos armados que sofre duras críticas da oposição pelo aumento da violência rural no país — e prometeu insistir nas reformas estruturais que travaram no Congresso colombiano, como as mudanças profundas no sistema de saúde, na previdência e nas leis trabalhistas. Analistas políticos alertam que a vitória de Cepeda representará uma blindagem institucional ao legado de Petro, marcado por frequentes embates com as cortes superiores e o banco central, enquanto um eventual governo de De la Espriella promete uma reengenharia radical na geopolítica e na segurança interna da Colômbia.

Foto: Jaime Saldarriaga / AFP

Redação – Thiago Salles

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