Tragédia em Hong Kong: incêndio em complexo residencial já deixa ao menos 146 mortos.

Internacional

O número de vítimas fatais do grande incêndio que destruiu um conjunto de edifícios residenciais na região de Tai Po, em Hong Kong, chegou a 146 neste domingo (30). As equipes de resgate continuam a vasculhar os prédios atingidos, onde novos corpos ainda estão sendo encontrados entre os escombros e nos andares superiores das construções.

Segundo a polícia local, ao menos quatro dos sete blocos já foram completamente inspecionados até o momento. As autoridades estimam que cerca de 100 moradores continuam desaparecidos e que outras 79 pessoas ficaram feridas, algumas em estado grave. A operação de buscas é considerada lenta e delicada devido à falta de iluminação interna, aos riscos estruturais e à extensão dos danos.

No local do desastre, moradores e parentes das vítimas mantêm um memorial improvisado com flores, velas e bilhetes de despedida. Filas se formaram ao longo do dia para homenagens, em um clima de comoção que tomou a cidade.

As primeiras investigações apontam que o fogo teve início em andaimes instalados para obras de reforma em um dos prédios e se espalhou rapidamente por causa da presença de painéis de espuma e redes de proteção feitas de material altamente inflamável. Rajadas de vento contribuíram para que as chamas avançassem de um edifício para outro em poucos minutos.

Diante das suspeitas de negligência, as autoridades de Hong Kong determinaram a paralisação imediata de obras em 28 empreendimentos ligados à mesma construtora responsável pela reforma no local atingido. Dirigentes da empresa, além de consultores e subempreiteiros, chegaram a ser presos sob suspeita de homicídio culposo e falhas graves de segurança. Alguns foram soltos sob fiança, mas novas detenções ocorreram por parte do órgão anticorrupção.

Outro ponto crítico da apuração envolve os sistemas de prevenção de incêndio. Testes preliminares indicaram que alarmes não acionaram corretamente durante a tragédia, apesar de o complexo abrigar grande número de idosos.

Entre as vítimas, há registro de trabalhadores migrantes de diferentes nacionalidades, incluindo indonésios e filipinos. Comunidades estrangeiras realizaram vigílias e atos religiosos no centro da cidade em memória dos mortos.

O incêndio começou na tarde da última quarta-feira e só foi completamente controlado dois dias depois. Mais de mil agentes, entre bombeiros e policiais, foram mobilizados. Rodovias, linhas de ônibus e áreas inteiras do bairro precisaram ser interditadas por segurança.

Considerado o pior incêndio em Hong Kong em décadas, o episódio reacende o debate sobre o uso de andaimes de bambu em obras de grande porte e sobre a fiscalização de sistemas de combate a incêndios em prédios altos. O governo chinês já anunciou uma inspeção nacional em edifícios semelhantes para evitar novas tragédias.

Crédito da foto: Yan Zhao / AFP

Redação Brasil News

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