O mundo assiste com apreensão ao novo capítulo da escalada de tensões entre Washington e Teerã. Nesta segunda-feira (11), os preços do petróleo registraram um salto agressivo após o presidente Donald Trump rejeitar, de forma sumária e via redes sociais, a proposta de paz apresentada pelo governo iraniano para encerrar o conflito que já se arrasta por dez semanas.
O documento enviado pelo Irã exigia o fim imediato do bloqueio naval, a suspensão das sanções econômicas e a retomada da venda de petróleo iraniano. Além disso, Teerã condicionou a paz ao fim das hostilidades no Líbano e exigiu compensações financeiras por danos de guerra. A resposta de Trump foi curta e explosiva: “TOTALMENTE INACEITÁVEL”, escreveu o mandatário na Truth Social, frustrando as expectativas de uma resolução diplomática rápida.
O reflexo econômico foi instantâneo. Com o Estreito de Ormuz sob constante ameaça de fechamento total, o mercado financeiro reagiu com pânico. Antes do conflito, cerca de 20% do petróleo mundial transitava pela região. Hoje, o tráfego é mínimo, com poucos navios-tanque arriscando a travessia com rastreadores desligados para evitar ataques.
Enquanto Israel afirma que ainda há “trabalho a ser feito” para desmantelar o programa nuclear iraniano, a pressão sobre Trump aumenta domesticamente devido à alta nos preços dos combustíveis, a apenas seis meses das eleições nos EUA. O próximo passo dessa crise deve ocorrer em Pequim, onde Trump se reunirá com o presidente chinês Xi Jinping para tentar uma mediação que evite um colapso energético global ainda maior.
Foto: Majid Asgaripour/WANA via REUTERS Redação – Thiago Salles